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«Seria muito vantajoso que o galego fosse considerado
uma variedade  do português»

AGLP / PGL - Nesta quarta entrevista, na sequência das já publicadas pela AGLP em colaboração com o PGL , a professora Margarida Costa, da Porto Editora , apresenta os produtos da editorial e manifesta-se a favor da defesa das variedades dentro da língua portuguesa.

A entrevista começa por apresentar a Porto Editora: «É a maior editora no mercado de língua portuguesa. É a que tem maior representatividade» com a publicação de dicionários de diversas línguas como o russo, o polaco, o sueco, etc. «Por outro lado estamos implementados em África, em Angola e Moçambique através da Plural Editores» e «temos várias parcerias com editoras europeias e brasileiras» pelo que a Porto Editora está bem representada «em termos não só nacionais mas também no mercado internacional».

A professora falou a seguir do Grande Dicionário, objeto da sua apresentação no II Seminário de Lexicologia da AGLP e destacou, entre outras publicações, o conhecido Dicionário da Língua Portuguesa, que acompanha a editora desde a sua fundação.

Tendo em conta o incremento de procuras através da Internet, a Porto Editora oferece dentro dos seus produtos informáticos o portal Infopédia, que reune as páginas de vinte e um dicionários prontos para consulta.

O Acordo Ortográfico é visto como uma oportunidade para renovar os produtos da empresa. A editora aproveita o periodo de transição para oferecer um serviço de orientação ao usuário, fornecendo a forma que as palavras tinham e, ao lado, a forma atual.

Margarida Costa mostrou-se a favor de Portugal reforçar uma posição ativa na área da expansão da língua e a cultura portuguesa, no investimento em educação e no reforço das variedades linguísticas «por exemplo, através da publicação desse Vocabulário Ortográfico Comum que tanto aguardamos».

«Tendo em conta a proximidade entre Portugal e a Galiza, mais o Norte de Portugal com a Galiza, é uma ligação muito forte, muito estreita, tanto a nível cultural como a nível linguístico, eu penso que considerar o galego como uma variedade do mesmo idioma só traria vantagens. Todos sabemos que tendo a mesma língua, se trabalharmos com a mesma língua, se nos comunicarmos na mesma língua todas as relações comerciais e culturais seriam facilitadas. Portanto, seria muito vantajoso para ambos que o galego fosse uma variedade do mesmo idioma, como é a variedade brasileira, a variedade angolana, a variedade portuguesa».

A professora Margarida Costa acabou por desejar a pronta elaboração e publicação do Vocabulário Ortográfico Comum precisamente para poder aglutinar num único texto todas as variedades idiomáticas e elaborar sobre essa base os futuros textos pedagógicos da língua portuguesa.

Evanildo Bechara mostra-se a favor da aplicação do AO na Galiza
e de um entendimento entre a AGLP e a RAG

 AGLP / PGL - Na entrevista, realizada por Breogão Martínez Vila, do Portal Galego da Língua, durante o II Seminário de Lexicologia da Academia Galega da Língua Portuguesa, o professor Bechara começou advertindo que a Academia Brasileira de Letras encontra, inconscientemente, um obstáculo à realização da tarefa que tem encomendada, porquanto deve tratar de língua, e não principalmente de linguística.

Explicou isto da seguinte forma:

"A ABL preocupa-se com a língua e o seu estudo, mas ela não quer ser uma instituição de linguística. Hoje encontramos no Brasil um movimento no sentido de dar uma feição linguística ao ensino da língua. Na Academia temos procurado mostrar que cabe ao professor de língua um papel diferente do professor de linguística".

"Todas as manifestações linguísticas interessam ao linguista, o que não ocorre com o professor de língua portuguesa, que se preocupa em mostrar ao aluno que, ao lado da sua realidade de competência linguística, qualquer e ela seja, existe uma realidade imposta pelas injunções sociais, e que ele tem de se manifestar, em determinadas situações, dentro dessa norma chamada exemplar. Isso não significa que a Academia vai fechar os olhos às outras realidades linguísticas, mas tem de mostrar que ao lado das outras realidades linguísticas existe uma que tem um prestígio cultural e que deve ser aprendida pelo aluno. Então a Academia insiste em que o trabalho do professor de língua é transformar o aluno num poliglota dentro da sua própria língua".

Continuou ainda explicando os saberes que o aluno tem de adquirir, em termos do professor Coseriu: Elocutivo, idiomático e expressivo. "O saber elocutivo é saber falar com congruência. O saber idiomático é saber a língua, saber usá-la com correção. O terceiro é o saber expressivo, saber construir textos orais ou escritos em determinados momentos. E cada um dos saberes tem a sua eficácia".

Relativamente ao Acordo de 1990, indicou que "não pretende ser apenas um disciplinador na grafia das palavras da língua comum. Mas pretende na medida do possível ser também um elemento unificador das terminologias científicas". Referiu o exemplo das terminologias geográficas, pondo o exemplo a divergência na escrita dos nomes das cidades de Moscovo / Moscu e Estugarda /Stuttgart. "O que o Acordo propõe é ao lado da unificação da grafia dos nomes comuns, haja na medida do possível uma unificação entre os países lusófonos, da sua terminologia técnica e científica. Para a medicina, física, química, internet, botânica, toponímia, etc".

Aplicação do Acordo Ortográfico na Galiza

No tocante ao caso da Galiza, o professor é da opinião de aproximar o mais possível o galego das regras do Acordo de 1990. "Por exemplo, escrever o n com til encima, fonema que pode ser representado pelo grafema nh, há grandes possibilidades de no galego se adotar esse grafema, em vez do n com til, que é uma representação mais castelhana".

Finalmente, respondendo à pergunta do entrevistador sobre o trabalho da AGLP, o gramático brasileiro entende "que esta Academia Galega da Língua Portuguesa tem tudo para se fixar. Em primeiro lugar, está fundamentada em princípios científicos. Em segundo lugar, tem na sua presidência e no seu corpo diretivo um conjunto de filólogos e linguistas do mais alto valor. E em terceiro lugar, existe nesta nova Academia Galega da Língua Portuguesa um espírito de pacificação, de solidariedade para se aproximar da academia galega atual".

"De modo que os princípios científicos, os homens que estão na direção desses princípios científicos, e o desejo honesto de chegar a uma solução pacífica naqueles problemas de diferença entre as duas academias, a atual e a AGLP, eu acho que esses três princípios fazem com que nós, do lado de fora, imaginemos os melhores resultados de aproximação dessas duas academias".

Professor Rosado Fernandes defende a aproximação das academias
à sociedade civil, bem como a sua internacionalização

AGLP / PGL - Continuamos com a série de entrevistas a participantes no II Seminário de Lexicologia , realizado pela AGLP o dia 25 de setembro de 2010 em Santiago de Compostela. Após a entrevista ao catedrático Montero Santalha, agora é a vez do professor Raul Rosado Fernandes, académico efectivo da Academia das Ciências de Lisboa (ACL).

O professor Raul Rosado Fernandes é professor catedrático jubilado do Departamento de Filologia Clássica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, universidade de que foi Reitor entre 1979 e 1982, bem como Investigador do Centro de Estudos Clássicos daquela Faculdade, na área das Fontes Clássicas da Cultura Portuguesa. No II Seminário de Lexicologia da AGLP participou em representação da ACL.

Em resposta às perguntas do entrevistador Breogão Martínez Vila, do Portal Galego da Língua, começou indicando a necessidade de alargar o espaço das academias. “Têm de penetrar mais nos interesses da sociedade civil, têm de se ligar mais à evolução da tecnologia, inclusive para encontrar um vocabulário que seja aceitável para as invenções tecnológicas...” Frisou que a ACL vai ter “uma espécie de universidade para seniores”, para acrescentar o contacto com a sociedade civil, e salientou a necessidade de internacionalização das Academias.

Entre as tarefas que o incumbem na tarefa académica, o professor Rosado Fernandes está ligado ao grupo de trabalho que está a fazer uma revisão do Dicionário da ACL. Já no terreno dos estudos clássicos, está interessado também em fazer uma comparação entre os cânticos homéricos e os servo-croatas e albaneses, ligando isso a o escritor albanês Ismail Kadare.

Relativamente ao papel político da língua portuguesa, entende que pode entrar como língua de trabalho em diversos organismos internacionais, o que precisará de muitas negociações. Neste terreno, o papel do Brasil poderá ser decisivo. Finalmente, relacionou a promoção da língua com a investigação e, por consequência, as patentes.

Presidente da AGLP anuncia início dos trabalhos
para a elaboração da Gramática do Português da Galiza

 AGLP / PGL - A Academia Galega da Língua Portuguesa e o Portal Galego da Língua iniciam a emissão de 8 entrevistas aos responsáveis das instituições galegas, portuguesas e brasileiras participantes no II Seminário de Lexicologia , realizado pela AGLP o dia 25 de setembro de 2010 em Santiago de Compostela.

Inicia-se esta série com o Presidente da Academia Galega, José-Martinho Montero Santalha, em resposta às perguntas de Iolanda Mato, da Associação Cultural Pró AGLP. Nas seguintes semanas serão emitidas as correspondentes aos professores Raul Rosado Fernandes (Academia das Ciências de Lisboa), Evanildo Bechara (Academia Brasileira de Letras), Samuel Rego (Instituto Camões), Joseph Ghanime (Docentes de Português na Galiza), Margarida Costa (Porto Editora), Carlos Amaral (Priberam Informática) e João Malaca Casteleiro (Academia das Ciências de Lisboa). Em breve a Academia irá disponibilizar também o DVD com a gravação integral do Segundo Seminário.

Nas suas declarações, Montero Santalha salientou as publicações da Academia: Boletim, Anexos do Boletim e Coleção de Clássicos da Galiza, de que foi editado o primeiro número, Cantares Galegos de Rosalia de Castro.

A seguir explicou o sentido da escolha do léxico da Galiza para incluir no Vocabulário Ortográfico Comum: “Aquela parte do léxico galego que seja autêntica e genuína … aquelas palavras que, depois de um estudo bem fundamentado, histórico e filológico, se chega à conclusão de que são autênticas, que não são castelhanismos nem disparates … possa entrar a formar parte dos vocabulários de língua portuguesa”.

Gramática do Português da Galiza

Entre as atividades da Academia, o catedrático da Universidade de Vigo referiu o início da elaboração da Gramática do Português da Galiza, concretizando: “O primeiro é estabelecer a pronúncia culta ..., mas também que nos dicionários portugueses apareça, pelo menos para o léxico galego, a transcrição fonética da pronúncia galega”.

Quanto ao Vocabulário Ortográfico Comum da língua portuguesa, indicou que “nesse caminho se vai. Em Portugal, como no Brasil, as suas academias tinham o seu próprio vocabulário ortográfico, que se vinha re-editando. Ainda se está nesse ponto, mas penso que não haverá grande dificuldade em fazer um Vocabulário Ortográfico Comum. Desde logo, nós os galegos, já demos o nosso contributo, disponível, que já começa a estar recolhido nalguns vocabulários. De modo que não tardará em fazer-se".

Na questão do futuro da língua, indicou: “Temos claro que a língua da Galiza não sobreviverá se quer fazê-lo fora do mundo lusófono. No século XXI criar uma língua independente, que tem menos de 3 milhões de falantes, e já não digamos com a situação problemática dentro da mesma Galiza, com o influxo tão poderoso do castelhano, é um suicídio cultural. De modo que isso temo-lo claro. O galego só vai sobreviver como português. Se não for assim, morrerá, ficará como o resto de uma língua escrita … Sempre haverá uma minoria que defenda a sua língua como português, que talvez chegue a se maioria algum dia, de modo que para o futuro da língua, cremos ser o único caminho”.

Fez finalmente um balanço positivo dos primeiros dous anos de existência da Academia Galega da Língua Portuguesa. Disse que “A acolhida foi surpreendentemente boa em muita gente. Houve também reações contrárias, especialmente ao nome de Língua Portuguesa, mas em geral foi uma acolhida muito positiva”.

segunda-feira, 20 setembro 2010 09:00

Programa do II Seminário de Lexicologia

Academia Galega da Língua Portuguesa

A Academia Galega da Língua Portuguesa organiza o II Seminário de Lexicologia, que terá lugar em Santiago de Compostela o dia 25 de setembro de 2010. Está confirmada a participação das academias portuguesa e brasileira, além da Porto Editora e a Priberam Informática.

Além de facilitar o intercâmbio de informações, o evento servirá também para a apresentação de novidades editoriais. A participação no evento requer inscrição prévia no endereço secretaria[arroba]aglp.net. Os interessados devem indicar nome completo, instituição que representam, endereço de correio e telemóvel de contato.

II SEMINÁRIO DE LEXICOLOGIA
Academia Galega da Língua Portuguesa
PROGRAMA

Data: 25 de setembro de 2010

Lugar: Fundação Caixa Galicia. Rua do Vilar, 19, Santiago de Compostela

Horário:

9.30 Receção aos participantes e entrega de materiais

10.00 Primeira sessão: O papel das Academias

12.00 Segunda sessão: Situação do ensino do português

14.00 Jantar

16.30 Terceira sessão: Dicionários e vocabulários

18.30 Quarta Sessão: Lexicologia e Lexicografia

20.00 Encerramento do Seminário

Destinado a professores, investigadores e estudantes de língua

Inscrição: Indicar nome, profissão e endereço de contato.

Quota normal: 30 euros. Quota reduzida: 15 euros (estudantes e desempregados)

Enviar correio a: secretaria[arroba]academiagalega.org. Telefone: (34) 667628090 Fax: (34) 981811967

Entidades participantes:

Oradores:

  • António Gil Hernández, Secretário da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP
  • Carlos Amaral, Administrador da Priberam Informática
  • Evanildo Bechara, Representante da Academia Brasileira de Letras
  • Fernando V. Corredoira, Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP
  • Helena Figueira, Responsável pelo Dicionário Priberam
  • João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa (ACL)
  • José-Martinho Montero Santalha, Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa
  • Joseph Ghanime, Vice-Presidente da Associação Docentes de Português na Galiza
  • Margarida Costa, Departamento de Dicionários da Porto Editora
  • Margarita Correia, Vice-Presidente do Instituto de Linguística Teórica e Computacional
  • Raúl Rosado Fernandes, Representante da Academia das Ciências de Lisboa
  • Samuel Rego, Representante do Instituto Camões na Galiza
  • Valentim Rodrigues Fagim, da Academia Galega da Língua Portuguesa e Presidente da AGAL

PROGRAMA

9:30 Abertura do secretariado e entrega de materiais.

1ª SESSÃO: O papel das academias. Moderador: Ângelo Cristóvão

10:00 José-Martinho Montero Santalha (AGLP)

10:20 Raúl Rosado Fernandes (ACL)

10.40 Evanildo Bechara (ABL)

11.00 Debate

11.30 Pausa para café

2ª SESSÃO: Situação do ensino da língua. Moderador: José Paz Rodrigues

12:00 Samuel Rego (Instituto Camões): «A ação do Instituto Camões no Mundo»

12:20 Joseph Ghanime (DPG): «Situação do ensino do português na Galiza»

12:40 Valentim R. Fagim (AGLP) «Do Ñ para o NH: Pedagogia do ensino do português na Galiza»

13:00 Debate

13.30 Fim da sessão da manhã

14:00 Jantar

3ª SESSÃO: Ferramentas linguísticas. Moderadora: Concha Rousia

16:30 Margarida Costa (Porto Editora): «O Grande Dicionário da Língua Portuguesa»

16:50 Carlos Amaral (Priberam): «FliP, 15 anos a dar a volta ao texto»

17:10 Margarita Correia (ILTEC): «O Portal da Língua Portuguesa e seus recursos»

17:30 Helena Figueira (Priberam): «Dicionário Priberam da Língua Portuguesa»

17:50 Debate

4ª SESSÃO: Lexicologia e Lexicografia. Moderador: Joám Evans Pim

18:30 João Malaca Casteleiro (ACL): «O uso do hífen segundo o novo Acordo Ortográfico»

18:50 António Gil Hernández (AGLP): «Sobre léxico da Galiza: Critérios»

19:10 Fernando V. Corredoira (AGLP): «A recuperação do léxico galego no Sempre em Galiza de Castelão»

19:30 Debate

20:00 Encerramento do Seminário, com José-Martinho Montero Santalha (AGLP), Raúl Rosado Fernandes (ACL), Evanildo Bechara (ABL) e João Malaca Casteleiro (ACL).

Mais informação:

segunda-feira, 02 agosto 2010 02:00

II Seminário de Lexicologia da AGLP

A Academia Galega da Língua Portuguesa organiza o II Seminário de Lexicologia, que terá lugar em Santiago de Compostela o dia 25 de setembro de 2010.

Está confirmada a participação das academias portuguesa e brasileira, além da Porto Editora e a Priberam Informática.

Além de facilitar o intercâmbio de informações, o evento servirá também para a apresentação de novidades editoriais.

A participação no evento requer inscrição prévia no endereço secretaria[@]academiagalega.org. Os interessados devem indicar nome completo, instituição que representam, endereço de correio e telemóvel de contato.

Mais informação:

segunda-feira, 04 janeiro 2010 09:00

Vídeo-entrevista a João Malaca Casteleiro, da ACL

«A introdução do Léxico da Galiza no Vocabulário da Porto Editora
responde a um objetivo de representação global da língua portuguesa
»

O professor João Malaca Casteleiro encerra a série de 7 entrevistas a professores participantes no I Seminário de Lexicologia da AGLP, realizado em 5 de outubro no Centro Cultural da CaixaGalicia. Na sua intervenção, em Santiago de Compostela, apresentou o Vocabulário Ortográfico da Porto Editora, que inclui um contributo lexical galego de mais de 800 palavras.

Membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1979, de cujo Instituto de Lexicologia e Lexicografia foi presidente entre 1991 e 2008, conta entre os seus maiores contributos ter sido coordenador do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da ACL (2001) e responsável pela versão portuguesa do Dicionário Houaiss (2002). Atualmente está elaborando o Dicionário Ortográfico e de Pronúncias e o Dicionário do Português Medieval, em que colaboram as professoras Maria Francisca Xavier e Maria de Lourdes Crispim, da Universidade Nova de Lisboa.

Participou na delegação portuguesa ao Encontro de Unificação Ortográfica de 1986 na Academia Brasileira de Letras, como também na redação do Anteprojecto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa de 1988, assim como nos trabalhos que conduziram ao Acordo Ortográfico de 1990, assinado em 12 de outubro na Academia das Ciências de Lisboa. É um dos maiores defensores da aplicação do Acordo em Portugal, tendo-se destacado na comunicação social pela defesa da sua aplicação.

Léxico da Galiza

Na entrevista o professor Casteleiro afirma que a introdução do Léxico da Galiza no Vocabulário Ortográfico da Porto Editora «Corresponde a um objetivo de representação global da língua portuguesa».

«Reparem que a ABL tinha publicado já o Vocabulário Ortográfico, mais na perspetiva brasileira. Ora, a norma gráfica portuguesa era seguida pelos países africanos de língua oficial portuguesa, na Ásia, em Timor, na Região Administrativa Especial de Macau, e também noutras regiões, e concretamente aqui na Galiza, porque o Acordo foi também adotado e, durante as reuniões que se fizeram em Lisboa, como, aliás, já tinha acontecido em 1986 no Rio de Janeiro, houve uma representação da Galiza, como observadores. Portanto, nós registamos neste Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa que agora se publica pela Porto Editora os africanismos, e os asiaticismos que ocorrem na língua portuguesa e que já estavam, em grande medida, dicionarizados. Faltava aí o léxico da Galiza».

«Ora, acontece que esta ideia de a Galiza elaborar o seu léxico partiu de uma conversa que tivemos com membros da comissão que acompanhou o Acordo Ortográfico (a Conferência Internacional de 7 de abril de 2008, na Assembleia da República) e que era no sentido de dispormos de um repertório de termos, de palavras, de vocábulos próprios da Galiza que pudéssemos integrar no Vocabulário Ortográfico Unificado. E também eu, na altura, pensava na segunda edição do Dicionário da Academia».

Vocabulário técnico e científico

Afirma o professor que a publicação do Vocabulário da Porto Editora responde a uma necessidade do Acordo Ortográfico, e à de evitar que pudesse ser invocada, pelos seus  opositores, a inexistência de um texto desse teor editado em Portugal. Além disto, «o Acordo de 1990 tinha previsto a elaboração de um vocabulário comum unificado da língua portuguesa. Tinha mais como preocupação a unificação, tanto quanto possível, dos termos técnicos e científicos das várias ciências, e sobretudo dos que têm entrado na língua de há umas décadas para acá».

O professor Malaca manifesta-se de acordo com a iniciativa do ministro da Cultura do anterior governo português, Pinto Ribeiro, na necessidade de criar uma nova Academia que se dedique especificamente à Língua Portuguesa. «Não é uma academia contra ninguém, menos contra a ACL».

quarta-feira, 17 março 2010 22:21

Editado DVD do Seminário de Lexicologia da AGLP

Vídeo-resumo do I Seminário de Lexicologia

Já foi editado o DVD do Seminário de Lexicologia da Academia Galega da Língua Portuguesa. O evento, realizado em Santiago de Compostela em 5 de outubro de 2009, reuniu alguns dos mais importantes lexicólogos da língua portuguesa, por convite da Academia Galega da Língua Portuguesa.

O DVD consta de 4 discos com a gravação integral do evento mais 7 entrevistas, somando 5 horas e 20 minutos. Está a ser distribuído gratuitamente em bibliotecas e instituições culturais. O resumo, assim como as entrevistas, foram disponibilizados na internet.

PGL | AGLP - Evanildo Cavalcante Bechara, natural do Recife, ocupa a cadeira número 33 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 2000. Como filólogo, é conhecida a sua edição das Investigações Filológicas de M. Said Ali. Como gramático é autor da muito divulgada Moderna Gramática Portuguesa, (37.ª edição, 1999), a Gramática Escolar da Língua Portuguesa (1.ª edição, 2001) e Lições de Português pela Análise Sintática (18.ª edição, 2004).

Na ABL é coordenador da Comissão de Lexicologia e Lexicografia, tendo apresentado a 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, em sessão interacadémica na Academia das Ciências de Lisboa, em abril de 2009, no mesmo evento em que o presidente da AGLP, Montero Santalha, apresentou o Léxico da Galiza.

Na entrevista, realizada o 5 de outubro de 2009, o professor explica a orientação da ABL no sentido de considerar, já no primeiro artigo da sua constituição, em 1897, o facto de a língua portuguesa não ser só do Brasil, «de modo que a identidade brasileira estava na literatura, enquanto a língua era um instrumento de comunicação, de realização profissional e artística comum a Portugal e ao Brasil».

À pergunta do entrevistador sobre a previsão da elaboração do Vocabulário Comum, o professor indica que «o texto do Acordo de 1990 não fala de um vocabulário da chamada língua primária. O que o texto diz é que, depois que os signatários do Acordo de 90 trabalharam na unificação da ortografia, que essa unificação, na medida do possível, e tão completa quanto possível, chegasse à unificação da nomenclatura técnica e científica. O vocabulário comum tem de ser o léxico comum a essas nações». «O Acordo Ortográfico de 1990 fala unicamente da unificação do significante». «Agora, o significado, este, será tarefa dos dicionários».

Quanto à possibilidade de uma maior unificação ortográfica, julga ser impossível. «Se nós optarmos por atender à pronúncia, uma língua pode admitir variantes. Então, assim como os portugueses pronunciam António, e no Brasil pronunciamos Antônio, ou essas duas formas continuarão a ser usadas e escritas diferentemente, ou então adotaremos o seguinte: que nesses casos dos paroxítonos com vogais tónicas nasais, não seja assinalado o timbre da vogal.»

Evanildo Bechara participou no Seminário de Lexicologia da AGLP, em 5 de outubro, com a comunicação «Passos na implantação do Acordo Ortográfico no Brasil».

PGL | AGLP - Nesta entrevista o Presidente da Comissão Executiva dos Colóquios da Lusofonia, Chrys Chrystello, dá mais detalhes da sua tarefa e do seu compromisso social. Uma circum-navegação que o levou de Portugal a Timor, Macau e Austrália, com regresso a Portugal, onde atualmente reside nos Açores.

Com o lema «Não prometemos, fazemos», os Colóquios, que se realizam desde 2001 e já chegaram a 12 edições, têm escolhido em sucessivos anos, temas de atualidade como a questão da língua mirandesa, o português em Timor, o Acordo Ortográfico ou o português da Galiza.

«Os colóquios da lusofonia são independentes, livres, admitem todos os temas, sem pressões de instituições ou governos». Assim define Chrys Chrystello esta iniciativa cultural que começou a realizar-se em 2001-2002 e continua todos os anos a levar escritores, professores e investigadores dos quatro continentes a Bragança (em outubro) e aos Açores (em abril). Neste sentido, afirma serem os Colóquios «os representantes da sociedade civil capaz e atuante».

O seu recente livro Chrónicaçores: Uma circum-navegação, foi descrito como um belo texto com os lados de um triângulo: Autobiografia, livro de aventuras e registo histórico. Pode o leitor aproximar-se dele com três perspetivas, comprovando ao mesmo tempo a intensidade vital associada à crítica social, a minuciosidade na descrição dos factos, e a análise dos diferentes tipos humanos. Disse o autor em 2006: «O único defeito de que não podem acusar-me é de ser politicamente correto».

A dinâmica dos Colóquios

O balanço dos últimos anos é, para o presidente dos Colóquios da Lusofonia, enormemente satisfatório, pondo como exemplo ter ajudado à criação da AGLP, a elaboração em curso da Diciopédia Contrastiva da Língua Portuguesa, com 36 especialistas a trabalhar na sua elaboração, a criação dos Estudos Açorianos que serão ministrados à distância na Universidade do Sul de Santa Catarina, e em modo presencial na Universidade do Minho. Entre os projetos em curso, o Museu da Língua Portuguesa em Bragança, previsto para começar a funcionar em 2011, e a promoção de uma nova Academia da Língua em Portugal, que considera absolutamente necessária.

O Encontro Açoriano da Lusofonia terá lugar em 2010 em Florianópolis, Santa Catarina, tendo previsto ir em anos seguintes a Maputo e Macau, manifestando também a sua vontade de se realizar uma edição na Galiza.

Política de língua

Entende o professor Chrystello que, nestes temas, o governo português não tem uma perspetiva histórica. Precisa-se a criação de uma política de longo prazo, independente de governos, para que a língua seja preservada, atuando lá onde houver falantes de português. Além disto, considera que o Acordo Ortográfico é «um ótimo instrumento» para uma política de língua de futuro, afirmando a facilidade para realizar as adaptações às novas regras.

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