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Professor José Luís Rodrigues apresenta o evento

Professor José Luís Rodrigues apresenta o evento

Bom dia. Eu creio que não precisamos [dos microfones] porque a minha voz é suficientemente poderosa como para poder falar a um público como o que nos acolhe neste momento.

Os organizadores deste encontro pediram-me para apresentar (para ser apresentador de apresentadores, realmente) este ato, onde temos dous colegas das universidades galegas, da Universidade de Vigo neste caso, o professor Montero Santalha e a professora Maria do Carmo Henriques Salido, ali à minha direita; o professor, sentado à minha esquerda; para por sua vez apresentarem dous grandes mestres da filologia portuguesa, galego-portuguesa, galego-luso-brasileira, mesmo até galego-luso-afro-brasileira-timorense pelo menos, verdade? Que, como digo, tiveram hoje a gentileza de vir até Compostela desde Bragança onde estavam convidados no VI Colóquio Anual da Lusofonia. Muitíssimo obrigado realmente por terem vindo aqui e por terem feito este esforço para pisar estas velhas pedras compostelanas.

Não precisamos realmente este ato, espero que seja breve por parte dos apresentadores, para deixar tempo para eles falarem porque realmente são absolutamente conhecidos e reputados por toda a parte. Todas as pessoas que se aproximem da filologia e da linguística portuguesa encontram de maneira inevitável, de forma incontornável, os nomes do professor Evanildo Bechara, ou /Betchara/ à galega, e do professor Malaca Casteleiro, especialmente no campo da gramática, como sabemos, no campo da lexicografia, e em tantos outros campos, na história da linguística, até, nos métodos... idiomas, de maneira que, como digo, estamos aqui fundamentalmente para ouvir a sua voz e então a minha vai-se calar e não é preciso que evoque os Lusíadas, mas realmente, a verdade, outras vozes mais poderosas se levantam e deixo a palavra aos meus colegas da universidade galega para que depois introduzam os nossos convidados. Muitíssimo obrigado aos dous por estarem aquí presentes, é um prazer e uma honra para esta velha universidade.

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[apresentação do início até os 3 min. 15 seg.]

segunda-feira, 29 outubro 2007 11:13

Crónica das Conferências de 8 de Outubro de 2007

Conferências de 8 de Outubro de 2007

Professores Evanildo Bechara (ABL) e Malaca Casteleiro (ACL)
participaram no evento

A Comissão Promotora da Academia Galega da Língua Portuguesa organizou as conferências dos académicos Evanildo Bechara e Malaca Casteleiro em Santiago de Compostela, em passada segunda-feira, 8 de Outubro de 2007. O primeiro acto público desta Comissão começou às 12 horas no Salão de Graus da Faculdade de Filologia, Universidade de Santiago.

O evento foi apresentado polo catedrático de língua portuguesa da Universidade de Santiago e Presidente da Comissão Linguística da AGAL, José Luís Rodrigues, que numas breves palavras soube desenhar a essência do acto a realizar.

Professor Evanildo Bechara: «A Academia Brasileira de Letras deve prestar maior atenção à Galiza»

Martinho Montero Santalha, professor da Universidade de Vigo e porta-voz da Comissão Promotora da Academia Galega da Língua Portuguesa, fez um fermoso e breve pormenor biográfico do professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, em que ocupa actualmente a função de Tesoureiro, e repassou a sua importante obra com um especial destaque para a sua Moderna Gramática Portuguesa, que já regista a 37 edição, revista e ampliada.

O Professor Bechara tratou na sua intervenção dous interessantíssimos assuntos: a história da Academia Brasileira das letras, fundada no ano 1886 no Rio de Janeiro, e que teve de primeiro Presidente Machado de Assis até ao seu falecimento em 1908. Falou também do conteúdo dos estatutos, citando o Artigo 1º, referido ao "cultivo da língua e literatura nacional", onde o singular de nacional faz referência à literatura brasileira, pois a língua, para a ABL, é uma só. Falou-nos também do papel de António Morais Silva, o seu dicionário e a relação com a ABL; dos objectivos actuais da ABL e da disponibilização de recursos; sua composição, os trabalhos que nela se fazem, e da incorporação da componente linguística e filológica em anos recentes.

Passou logo o académico brasileiro a falar dos problemas do Acordo Ortográfico, e fez um repasso das distintas tentativas de chegar a um consenso entre o Brasil e Portugal. Expus uma opinião sobre a parte mais problemática do acordo de 1990: a pretensão fazer um modelo de acentuação com base na fonologia, sob o princípio de que a escrita corresponde à fala; sugeriu como solução ideal a redução dos acentos muito significativamente, mas não como proposta a realizar de imediato. Disse o professor que o português tem em toda a parte uma mesma morfossintaxe, e mais dum noventa por cento de coincidência. Infelizmente, com menos do dez por cento de discrepância fonológica, fazemos grandes problemas. Ele proporia, como ideal, começar de novo a discutir o acordo ortográfico partindo de bases novas, pois só pode haver unidade da escrita se esta for repensada sob outros critérios. Por último, salientou a importância de conceber a Lusofonia como uma unidade na diversidade. Anunciou que vai propor à Academia Brasileira de Letras um alargamento a toda a lusofonia, e defendeu a necessidade de essa instituição prestar uma maior atenção à Galiza.

Professor Malaca Casteleiro: «Temos que ser poliglotas dentro da própria língua»

A Catedrática da Universidade de Vigo Maria do Carmo Henriquez Salido fez a apresentação do professor Malaca Casteleiro, da Academia de Ciências de Lisboa, assinalando a sua importância no campo da lexicografia e na elaboração do dicionário da ACL, que tão útil está a ser para os seus trabalhos no âmbito da linguagem jurídica, que é, aliás, um dicionário com "exemplos vivos". Lembrou a sua relação pessoal com Casteleiro, um "firme e ferrenho defensor da unidade da língua".

Começou o professor Malaca agradecendo o convite da organização. Assinalou conceitos indicados por Bechara, afirmando que: "temos que ser políglotas dentro da própria língua", e sabermos inserir a diversidade na unidade.

Logo as palavras do professor nos mergulharam em dous projectos lexicográficos nada contrários entre si, mas complementares: o dicionário da Academia de Ciências de Lisboa, com 70.000 unidades lexicais, no que se recolhe a língua portuguesa dos séculos XIX e XX e no que se incorporam Brasileirismos, africanismos e asiatismos. Por outro lado o dicionário Houaiss, com 218.000 unidades lexicais, onde se recolhe o português dos séculos XVI a XX. Foi Casteleiro que dirigiu a equipa que preparou a edição portuguesa deste dicionário, editada polo Círculo de Leitores e da que já foram vendidos sessenta mil exemplares. Em 16 meses revisaram o dicionário na sua totalidade e até corrigiram alguns erros que nele havia, mudanças serão incorporadas na próxima edição brasileira.

Casteleiro delineou a seguir uma história da Academia de Ciências de Lisboa e dos seus dicionários ou tentativas de dicionários, e as peripécias da sua génese. Como director da equipa realizadora do dicionário da ACL, o atento e entusiasmado público ficou deliciosamente informado da intra-história dessa publicação. Lembrando que os dicionários Houaiss e o da Academia partem de perspectivas filosofias distintas, trata-se de duas excelentes obras nada contraditórias entre si. Anunciou que no futuro vai haver nova edição do dicionário e que os galeguismos poderiam também ser incorporados. Também está em perspectiva a edição de um dicionário abrangende dos séculos XVI a XVIII.

O académico da ACL tratou a seguir o assunto do acordo ortográfico e os problemas que enfrenta, ao ser a ortografia "um campo da soberania política" no mundo lusófono. Manifestou-se bastante pessimista sobre a possibilidade de o acordo vigorar em Portugal no curto prazo, e até deu a entender os problemas isto poderia provocar. Casteleiro realizou uma revisão da história dos acordos ortográficos, complementado nalguns aspectos a magnífica exposição do professor Bechara.

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Mais info:

segunda-feira, 22 junho 2015 02:00

«Língua, sociedade civil e ação exterior»

Programa do Seminário Língua, Sociedade Civil e Ação Exterior

A Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa realizará em Santiago de Compostela, o próximo 27 de junho, um seminário sob o título "Língua, sociedade civil e ação exterior".

Vídeo resumo dos atos de inauguração da Casa da Língua Comum, um projeto ao serviço da promoção da língua e a cultura que abriu as suas portas o dia 25 de abril de 2015. Fica situada na rua de Emílio e de Manuel, 3, r/c - 15901 Santiago de Compostela (Galiza).

O seminário «A nossa língua: 1000 anos de história, 8 séculos de escrita» foi o evento em que o Presidente da AGLP apresentou uma edição crítica do testamento de 1214 de D. Afonso II, motivo das comemorações que se desenvolvem de junho de 2014 a junho de 2015, em que participa a Academia Galega.

sexta-feira, 17 abril 2015 02:00

Inauguração da Casa da Língua Comum

 

Atos de Inauguração

A Casa da Língua Comum é um projeto ao serviço da promoção da língua e a cultura que abre as suas portas o dia 25 de abril. Fica situada na rua de Emílio e de Manuel, 3, r/c - 15901 Santiago de Compostela (Galiza).


O Secretário Geral de Política Linguística do Governo Autónomo Galego, Valentín García, informou, durante o Seminário A Lei Paz-Andrade e as Políticas de Língua, da participação da Junta da Galiza numa reunião do IILP, Instituto Internacional da Língua Portuguesa, por convite do seu Diretor Executivo, o Dr. Gilvan Müller de Oliveira.

O Seminário «A Lei Paz-Andrade e as Políticas de Língua», que se vai realizar o dia 26 de junho no Museu do Povo Galego sob organização da AGLP, pretende ir ao encontro das necessidades atuais da política da língua. Os oradores são parte importante do presente e futuro do português na Galiza e na CPLP.

Em sessão solene, no dia 5 de outubro de 2012, tomaram posse como académicos correspondentes da AGLP os professores Malaca Casteleiro, Chrys Chrystello, Evandro Vieira, Evanildo Bechara e Maria Dovigo, e, in absentia, Carlos Reis, Adriano Moreira, Eugénio Anacoreta Correia. Foi também acreditado académico de mérito José Luís Fontenla Rodrigues. O evento teve lugar em Ourense, no contexto dos XVIII Colóquios da Lusofonia.

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