Presidente da AGLP Prof. Montero SantalhaDisponibilizamos texto lido por Montero Santalha na sessão de passado dia 14 em Lisboa

Numa sessão interacadémica, realizada em 14 de Abril no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, foi apresentado o Léxico da Galiza elaborado pela Academia Galega da Língua Portuguesa, e a 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, elaborado pela Academia Brasileira de Letras sob a coordenação do Prof. Evanildo Cavalcante Bechara.

O lançamento realizou-se numa cerimónia que encabeçaram os presidentes das três academias da língua: portuguesa, brasileira e galega. Integraram a representação da Galiza vários académicos da AGLP: Ângelo Cristóvão (Secretário), Joám Trilho (Arquiveiro), Concha Rousia (Vice-Secretária), e Luís Gonçáles Blasco e Fernando V. Corredoira (da Comissão de Lexicologia e Lexicografia). Também assistiu o presidente da AGAL, Alexandre Banhos.

A sessão interacadémica decorreu no espaço de 70 minutos com as intervenções do Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Prof. Arantes e Oliveira, o Presidente da Academia Brasileira de Letras, Prof. Cícero Sandroni, o académico da ABL, Prof. Evanildo Cavalcante Bechara, o académico da ACL Aníbal Pinto de Castro, e o Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa, Prof. Martinho Montero Santalha, encerrando o ato o Vice-Presidente da ACL, Prof. Adriano Moreira.

Presidência da Sessão Interacadémica

Presidência da Sessão Interacadémica

Para além da assistência de uma delegação da Academia Brasileira, académicos da ACL e a delegação galega, o ato contou com o Sr. embaixador do Brasil em Portugal, Celso Marcos Vieira de Souza, o Dr. Augusto Joel, assessor do Ministério da Cultura Português, e o Sr. Gaspar Diaz, Chefe da Conselharia Cultural da Embaixada da Espanha em Lisboa.

O Presidente da Academia das Ciências de Lisboa, Prof. Eduardo Romano de Arantes e Oliveira, assegurou que «há equívocos nas relações entre Portugal e a língua portuguesa», reclamou ter em consideração a Galiza, os países africanos de língua portuguesa e também o Brasil, e afirmou que «vamos num futuro breve editar a nossa própria versão do Vocabulário».

Pela sua parte, o professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras (ABL), lembrou que se trata da quinta edição do Vocabulário em consonância com as normas do Acordo Ortográfico de 1990. A ABL edita desde 1970 o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, sucessivamente atualizado. A quinta edição está já disponível no mercado europeu por 60 euros.

Na sua intervenção, o Presidente da AGLP, Prof. José-Martinho Montero Santalha, afirmou que o Léxico da Galiza apresentado em Lisboa, é um primeiro contributo passível de melhoras, que será adaptado conforme aos critérios que forem adotados na elaboração do Vocabulário Comum. 

Académicos galegos com representantes do Ministério da Cultura e da Embaixada de Espanha

Concha Rousia (Academia Galega), Ângelo Cristóvão (Academia Galega),
Sr. Gaspar Díaz (Embaixada de Espanha), Dr. Augusto Joel (Ministério da Cultura),
José-Martinho Montero Santalha (Presidente da Academia Galega)

Sessão Interácadémica na ACL

Discurso do presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa
Professor José-Martinho Montero

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Concha Rousia assinando o protocolo no RGPL, acompanhada de
Alcides Martins à esquerda (Vice-Presidente Administrativo) e
António Gomes da Costa à direita (Presidente)

 As académicas galegas participaram, em 29 de março, num ato na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, onde foram recebidas junto da comitiva dos Colóquios da Lusofonia pelo Presidente da ABL, Marcos Vilaça, e o gramático e lexicólogo Evanildo Bechara.

O encontro, com numeroso público assistente, começou às 14 horas com as intervenções de Chrys Chrystello, Presidente da Comissão Executiva dos Colóquios da Lusofonia, Concha Rousia, da Academia Galega da Língua Portuguesa, e Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa. A intervenção galega levou por título "A participação galega nos Acordos Ortográficos: Poder e responsabilidade".

O evento serviu também para apresentar o terceiro número do Boletim da AGLP e uma nova edição de Cantares Galegos, primeiro número da Coleção de Clássicos da Galiza.

Concha Rousia e Isabel Rei ao pé da estátua de Machado de Assis, na entrada da ABL

Concha Rousia e Isabel Rei ao pé da estátua de Machado de Assis,
na entrada da ABL

Essa mesma tarde, dirigiram-se para o Real Gabinete Português de Leitura, a mais antiga instituição cultural do Brasil (1837), onde assinaram o Protocolo de Colaboração e Apoio Recíproco entre a AGLP e o RGPL. O evento incluiu um recitado de poemas de Rosalia de Castro, Guerra da Cal e da própria autora, Concha Rousia, acompanhada da guitarrra de Isabel Rei.

A viagem das académicas galegas vai conduzi-las a Florianópolis, onde terá lugar em 31 de março, no Instituto Federal de Santa Catarina, a Sessão Inaugural do Instituto Cultural Brasil-Galiza, organismo binacional com a presença da presidente brasileira, Silmara Annunciato, e Concha Rousia (presidente galega). Será apresentado também o programa de atividades, que inclui uma "Exposição da Cultura Galega", com painéis explicativos sobre história, arte, música, literatura, política, economia e língua, que irá sendo levado por diversos estados do Brasil. 

Palestra de Concha Rousia na ABL

Palestra de Concha Rousia na ABL

O programa inclui outros encontros e palestras em várias instituições, como a Universidade Federal de Santa Catarina, e intervenções no Colóquio da Lusofonia, que vai ter lugar de 5 a 9 de abril.

Público assistente na ABL

Público assistente na ABL

A participação galega nos Acordos Ortográficos

Intervenção de Concha Rousia na Academia Brasileira de Letras

Rio de Janeiro, 29 de março de 2010

Exmo. Sr. Presidente da Academia Brasileira de Letras, Prof. Marcos Vilaça; Exmo. Sr. Prof. Evanildo Bechara e demais académicos brasileiros; caros professores Malaca Casteleiro e Chrys Chrystello, prezados colegas, Senhoras e Senhores:

Agradeço, em nome da Academia Galega da Língua Portuguesa, o convite para participar neste ato numa instituição de tanta importância não só para o Brasil, como também para a nossa língua comum. Começo a minha intervenção lembrando e honrando a memória de Ernesto Guerra da Cal que foi, no Brasil, o maior defensor da dignificação da língua e cultura da Galiza, através da sua reintegração no português comum.

Conforme às informações da tese de doutoramento de Joel Gomes, recentemente apresentada na Universidade de Santiago, o nosso saudoso professor intervinha na Academia Brasileira de Letras em agosto de 1959, provavelmente nesta mesma sala, lendo um poema intitulado “Colóquio”. Em 17 de agosto desse ano recebia a medalha de Doutor Honoris Causa pela Universidade da Bahia, na altura da sua participação no IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros. Ernesto Guerra da Cal foi convidado para ser um dos partícipes ao Acordo Ortográfico de 1986, tanto por Portugal como por Brasil. Na altura, ele aceitou assistir aos encontros na sua condição de galego, mas delegou no professor Isaac Alonso Estraviz, integrado na Comissão Galega, que assistiu às reuniões na Academia Brasileira de Letras junto de Adela Figueroa e José Luís Fontenla. A Comissão para a Integração da Língua da Galiza no Acordo de Ortografia Unificada, constituída em 1985, e presidida por Guerra da Cal e Jenaro Marinhas del Valle, estava integrada também por outras personalidades da vida pública como Paz Andrade, e associações culturais lusófonas.

Em 1 de outubro de 1990 Manuel Jacinto Nunes, presidente da Academia das Ciências de Lisboa, enviava carta à Comissão Galega solicitando “a presença de dois representantes galegos, para tomarem parte, como observadores, na mencionada reunião em Lisboa, de 8 a 12 de outubro de 1990”. A Delegação da Galiza no Acordo de Lisboa esteve integrada por José Luís Fontenla, Vice-Presidente Primeiro, e António Gil, Vice-Presidente Segundo da Comissão. Fontenla e Gil representaram o nosso país na condição de observadores, colaborando na redação do texto.

Como sabemos, o artigo 2 do Preâmbulo do Acordo Ortográfico indica: Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de Janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas.

Em 1 de dezembro de 2007 criava-se em Santiago de Compostela a Associação Cultural Pró AGLP participando o seu presidente, Ângelo Cristóvão, em 7 de abril de 2008, na Conferência Internacional de Lisboa sobre o Acordo Ortográfico, realizada na Assembleia da República, em que também estiveram presentes outras entidades galegas (AGAL, MDL e ASPG-P) que compartilham igual conceção da língua comum e da Lusofonia. Desta forma, dava continuidade à posição galega a favor da unidade da língua, manifestada nos Acordos do Rio de Janeiro e Lisboa.

A sessão inaugural da Academia Galega da Língua Portuguesa teve lugar em 6 de outubro de 2008, em Santiago de Compostela. Desde então, mantém contacto frequente com instituições galegas e de fora da Galiza.

Na sede da Academia das Ciências de Lisboa, em 14 de abril de 2009, na altura do lançamento do Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, o presidente da academia galega, José-Martinho Montero Santalha apresentou o Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa. Trata-se de uma escolha de vocábulos de uso corrente na língua oral ou na escrita literária, que ainda não estavam recolhidas nos dicionários da língua portuguesa. A responsabilidade deste trabalho correspondeu à Comissão de Lexicologia e Lexicografia, integrada por alguns dos mais conhecidos especialistas galegos. Montero Santalha, catedrático da Universidade de Vigo, reafirmava nessa altura a importância do Acordo Ortográfico como garante da unidade da língua escrita, que nos permite aos galegos a comunicação com mais de 220 milhões de pessoas. Como dizia o político e escritor Castelão, pai da Pátria Galega, em meados do século XX, a nossa língua é extensa e útil.

Em 5 de outubro de 2009 a Academia realizou em Santiago de Compostela o I Seminário de Lexicologia, com a participação dos académicos portugueses Adriano Moreira, Artur Anselmo e Malaca Casteleiro (da ACL), Maria de Lourdes Crispim e Maria Francisca Xavier (Universidade Nova de Lisboa), galegos (Álvaro Iriarte Sanromán, Isaac Estraviz e Martinho Montero Santalha) e o brasileiro Evanildo Cavalcante Bechara.

O Seminário de Lexicologia é um lugar de encontro que marca desenvolvimentos futuros num ambiente de cooperação e unidade. Foi neste evento que o professor Malaca Casteleiro apresentou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Porto Editora, que integra o contributo lexical galego, mais de 800 palavras comuns na Galiza. Nessa altura, o professor Evanildo Bechara anunciou a inclusão, na próxima edição do Vocabulário da ABL, do contributo lexical da Galiza. Por sua vez, o académico Artur Anselmo, Presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Academia das Ciências de Lisboa, comunicou que a terceira edição do Vocabulário da ACL incluirá também o léxico galego.

No breve espaço de vida da nossa instituição, assinamos em abril de 2009 um protocolo de Colaboração com os Colóquios Açorianos da Lusofonia, que acolheu e promoveu no seu seio o nascimento da nossa Academia, com a Sociedade de Geografia de Lisboa, e com a Universidade Aberta de Lisboa. Em aplicação do Acordo com esta última entidade, assinado em 5 de outubro de 2009, a UAb abrirá, durante este ano, o seu primeiro Centro Local de Aprendizagem fora de Portugal, na Galiza. A AGLP vai assinar também, em breve, um protocolo com o Real Gabinete Português de Leitura, com a Comissão Interpaíses Brasil-Portugal e Países de Língua Oficial Portuguesa, com a Associação Brasileira de Linguística, e com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Cabe indicar também que a Academia criou, em janeiro de 2009, uma Delegação no Brasil, sob a responsabilidade do professor Joám Evans Pim. O seu trabalho se verá continuado pelo Instituto Cultural Brasil-Galiza, criado sob os auspícios da AGLP, e que será lançado publicamente no dia 31 de março, em Florianópolis.

Exmas. Senhoras, Exmos. senhores: Vimos à Academia Brasileira de Letras com a maior vontade de colaboração. Na ocasião, apresento o terceiro número do Boletim da nossa academia, e a edição dos Cantares Galegos de Rosalia de Castro, adaptado ao Acordo Ortográfico, que constitui o primeiro volume da nossa Coleção de Clássicos da Galiza.

O professor Bechara participou nas palestras que organizou o grupo promotor da academia galega na Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago, junto do professor Malaca Casteleiro, em outubro de 2007. Representou à Academia Brasileira de Letras na Sessão Inaugural da AGLP em 6 de outubro de 2008, como também no Seminário de Lexicologia realizado em 5 de outubro de 2009. Destarte anima, desde a primeira hora, o nascimento da nossa instituição, trazendo o apoio da centenária academia brasileira à mais jovem entre as academias da língua portuguesa. A AGLP quer render, desta forma, a sua homenagem ao intelectual e à figura humana deste brasileiro universal.

Não posso finalizar esta intervenção sem agradecer vivamente a oportunidade de me apresentar e representar a Galiza no Brasil. Uma Galiza moderna, renascida na melhor tradição cultural e cívica, na mais genuína tradição galega, a que nos leva à integração no espaço lusófono mantendo a nossa identidade linguística, o nosso léxico, as nossas pronúncias e a nossa literatura. Da nossa esquina atlântica vimos oferecer ao Brasil a nossa cooperação e o nosso compromisso de defesa da língua comum, na velha Gallaecia nascida.

Muito obrigada.

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segunda-feira, 22 novembro 2010 02:00

Conversações sobre o galego e o português

Com a participação de José-Martinho Montero Santalha, presidente da AGLP

AGLP / PGL - O Centro de Estudos Brasileiros, em colaboração com a Academia Brasileira de Letras, organiza na próxima terça-feira, dia 23 de novembro, entre 17:00 e 20:00 horas, um seminário com o título "Conversações sobre o galego e o português: a criação literária nas duas línguas". O evento terá lugar no Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca (Palácio de Maldonado, Plaza de San Benito, 1).

Sob a coordenação de Ángel Marcos de Dios, catedrático de Filologia Moderna da USAL, nas conversas participarão José Luís Rodrigues, catedrático de Língua Portuguesa da Universidade de Santiago de Compostela e membro da Comissom Lingüística da AGAL; Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras; e José-Martinho Montero Santalha, presidente da Academia Galega de Língua Portuguesa.

José Luís Rodrigues apresentará a comunicação "Galego/português: encontros, desencontros, reencontros", Evanildo Bechara falará sobre "Os Estudos da Língua Portuguesa na ABL", e José-Martinho Montero Santalha intervirá com uma exposição subordinada ao título "O galego: o português da Galiza. Uma visão do galego como parte da lusofonia".

É possível assitir à atividade ao vivo pela internet através do canal de TV do CEB. A entrada é livre até completar a lotação.

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Ĝeraldo Holanda Cavalcanti | Foto do portal G1 da Globo

Poeta e tradutor substitui Ana Maria Machado a partir de 19 de dezembro. Pernambucano, membro da ABL desde 2010, substitui Ana Maria Machado, que dirigiu a ABL nas duas últimas gestões e foi a segunda mulher a ocupar o cargo, precedida apenas por Nélida Piñon, em 1997.

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Evanildo Bechara mostra-se a favor da aplicação do AO na Galiza
e de um entendimento entre a AGLP e a RAG

 AGLP / PGL - Na entrevista, realizada por Breogão Martínez Vila, do Portal Galego da Língua, durante o II Seminário de Lexicologia da Academia Galega da Língua Portuguesa, o professor Bechara começou advertindo que a Academia Brasileira de Letras encontra, inconscientemente, um obstáculo à realização da tarefa que tem encomendada, porquanto deve tratar de língua, e não principalmente de linguística.

Explicou isto da seguinte forma:

"A ABL preocupa-se com a língua e o seu estudo, mas ela não quer ser uma instituição de linguística. Hoje encontramos no Brasil um movimento no sentido de dar uma feição linguística ao ensino da língua. Na Academia temos procurado mostrar que cabe ao professor de língua um papel diferente do professor de linguística".

"Todas as manifestações linguísticas interessam ao linguista, o que não ocorre com o professor de língua portuguesa, que se preocupa em mostrar ao aluno que, ao lado da sua realidade de competência linguística, qualquer e ela seja, existe uma realidade imposta pelas injunções sociais, e que ele tem de se manifestar, em determinadas situações, dentro dessa norma chamada exemplar. Isso não significa que a Academia vai fechar os olhos às outras realidades linguísticas, mas tem de mostrar que ao lado das outras realidades linguísticas existe uma que tem um prestígio cultural e que deve ser aprendida pelo aluno. Então a Academia insiste em que o trabalho do professor de língua é transformar o aluno num poliglota dentro da sua própria língua".

Continuou ainda explicando os saberes que o aluno tem de adquirir, em termos do professor Coseriu: Elocutivo, idiomático e expressivo. "O saber elocutivo é saber falar com congruência. O saber idiomático é saber a língua, saber usá-la com correção. O terceiro é o saber expressivo, saber construir textos orais ou escritos em determinados momentos. E cada um dos saberes tem a sua eficácia".

Relativamente ao Acordo de 1990, indicou que "não pretende ser apenas um disciplinador na grafia das palavras da língua comum. Mas pretende na medida do possível ser também um elemento unificador das terminologias científicas". Referiu o exemplo das terminologias geográficas, pondo o exemplo a divergência na escrita dos nomes das cidades de Moscovo / Moscu e Estugarda /Stuttgart. "O que o Acordo propõe é ao lado da unificação da grafia dos nomes comuns, haja na medida do possível uma unificação entre os países lusófonos, da sua terminologia técnica e científica. Para a medicina, física, química, internet, botânica, toponímia, etc".

Aplicação do Acordo Ortográfico na Galiza

No tocante ao caso da Galiza, o professor é da opinião de aproximar o mais possível o galego das regras do Acordo de 1990. "Por exemplo, escrever o n com til encima, fonema que pode ser representado pelo grafema nh, há grandes possibilidades de no galego se adotar esse grafema, em vez do n com til, que é uma representação mais castelhana".

Finalmente, respondendo à pergunta do entrevistador sobre o trabalho da AGLP, o gramático brasileiro entende "que esta Academia Galega da Língua Portuguesa tem tudo para se fixar. Em primeiro lugar, está fundamentada em princípios científicos. Em segundo lugar, tem na sua presidência e no seu corpo diretivo um conjunto de filólogos e linguistas do mais alto valor. E em terceiro lugar, existe nesta nova Academia Galega da Língua Portuguesa um espírito de pacificação, de solidariedade para se aproximar da academia galega atual".

"De modo que os princípios científicos, os homens que estão na direção desses princípios científicos, e o desejo honesto de chegar a uma solução pacífica naqueles problemas de diferença entre as duas academias, a atual e a AGLP, eu acho que esses três princípios fazem com que nós, do lado de fora, imaginemos os melhores resultados de aproximação dessas duas academias".

terça-feira, 07 abril 2009 11:56

Sessão Interacadémica na ACL

Vocabulário Ortográfico da Língua PortuguesaAcademia Galega da Língua Portuguesa participará na Sessão interacadémica que irá realizar-se na sede da Academia das Ciências de Lisboa

A Academia Brasileira de Letras vai apresentar em Portugal a quinta edição do “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, elaborado segundo as normas do novo Acordo Ortográfico e publicado pela Global Editora.

A apresentação efectua-se no Salão Nobre da Academia das Ciências de Lisboa, no dia 14 de Abril, às 17 horas. Na mesma ocasião será lançado o “Léxico da Galiza” para ser integrado no “Vocabulário Ortográfico Comum”, elaborado pela Academia Galega da Língua Portuguesa.

Serão oradores o Presidente da Academia Brasileira de Letras, Dr. Cícero Sandroni, o académico brasileiro Evanildo Bechara, o membro da Academia das Ciências Prof. Doutor Aníbal Pinto de Castro, e o Presidente da AGLP, Prof. Martinho Montero Santalha.

O evento é organizado pela ACL e pela Dinalivro. No final será servido um Porto de Honra.

Delegação galega:

  • Martinho Montero, orador no ato da ACL
  • Concha Rousia (vice-secretária AGLP)
  • Joám Trilho (arquiveiro-bibliotecário AGLP)
  • Luís "Foz" (académico AGLP)
  • Fernando Corredoira (académico AGLP)
  • Ângelo Cristóvão (secretário AGLP)
  • Alexandre Banhos (presidente da AGAL)

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quinta-feira, 16 abril 2009 00:00

Um 14 de abril histórico para a Galiza

Alexandre Banhos na Sessão Interacadémica

Alexandre Banhos

O 14 de abril para os espanhóis é a lembrança duma festa popular que se correspondeu com a proclamação da segunda república1. A partir de ontem o catorze de abril vai ser data a festejar tamém no calendário cívico galego.

Nos dous últimos anos o reintegracionismo todo está tendo avanços no relacionamento e reconhecimento institucional em Portugal como antes nunca2, pois infelizmente isso não ia além de ser um sonho no âmbito institucional, sem esquecermos o reconhecimento de que a nível individual o reintegracionismo já muito tinha alicerçado nesse relacionamento, eis como bom exemplo os grandes Congressos Internacionais da Língua organizados pola AGAL, ou os da Associação Internacional de Lusitanistas.

Há agora um ano, em 7 de Abril de 2008, o reintegracionismo todo estava convidado a falar num ato ordinário da Assembleia da República Portuguesa (Parlamento) e sobre nada mais nem menos que o assunto comum da língua, a nossa língua internacional3, plural como todas as línguas internacionais.

Nestes dous anos todos ajudamos4 desde o reintegracionismo, cada pessoa de acordo com as suas possibilidades e capacidades para que na Galiza por fim existisse uma Academia da Língua5 que se pudesse relacionar em pé de igualdade com as academias do Brasil e Portugal.

A AGLP nasceu com os melhores agoiros e com a bênção das suas irmãs mais velhas. O ansiado acordo ortográfico uniformador da escrita, que muito foi desejado de sempre na AGAL no contraste da nossa língua com as outras quatro grandes línguas internacionais e nomeadamente o espanhol, por fim é um feito.

O dia 14 de abril no formosíssimo salão da Academia de Ciências de Lisboa, tivo lugar a primeira reunião solene de todas as academias existentes da língua portuguesa, a nossa, pois por esse nome é conhecida internacionalmente.

Estava em pleno a Academia de Ciências de Lisboa Secção de Letras e muitos membros da Secção de Ciências; a Academia Brasileira de Letras (Rio de Janeiro) com uma muito considerável representação dos seus membros; a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), com igualmente uma importante representação. A Direção da Academia de Letras da Bahia. Acompanhavam as seguintes autoridades: os embaixadores de todos os países lusófonos em Portugal; a representação da embaixada espanhola no seu agregado cultural, ao estar presente uma instituição pertencente ao Reino de Espanha; os embaixadores ante a CPLP; o ministro e autoridades de Cultura de Portugal e das suas universidades, e representantes vários de todos os países presentes e os da comunicação social. Pola Galiza estava presente este Presidente da AGAL, e infelizmente faltavam autoridades políticas que foram devidamente convidadas e da comunicação social.

Presidiam a sessão, os Presidentes das Academias de Portugal, Brasil e a Galiza.

Gostei imenso dos discursos mas não vou trasladar aqui as minhas notas de todos os seis oradores, já que nos próximos dias há haver muita informação do evento, mas vou salientar do discurso do último dos oradores, o professor Adriano Moreira, as seguintes palavras: A língua não é nossa dos portugueses, nós temos a língua igual que a têm os brasileiros, galegos, angolanos... a língua constrói-se nas beiras do Sar e no mato brasileiro, a língua é um património comum de todos que não pertence a ninguém.

Eu por causas de trabalho não pude fazer a viagem com o resto da delegação galega, o dia 13 às 10 da noite ainda estava numa reunião e o dia 14 às 6 horas da manhã partia de carro para Lisboa. Essa manhã ainda tive tempo de fazer algumas gestões em Lisboa a ver com próximas atividades do reintegracionismo e com as possibilidades de chegarmos a distribuição dos nossos livros em Portugal. No carro levava uma caixa cheia de livros nossos para a biblioteca da Academia e para agasalhar aos amigos, pena não fossem muitas mais caixas, pois logo todos desapareceram.

Fum das primeiras pessoas em chegar à sede da Academia, onde falei com muitos amigos, e de passo nasciam outros novos, fum tratado com grande carinho e consideração que sei que era na minha pessoa para todos os nossos associados e para o povo galego em geral. Aguardo cumprir a minha palavra e em julho deste ano deslocar-me ao Brasil para continuar alargando os tecidos que nos atam. 

José-Martinho Santalha, presidente da AGLP, co-presidiu a sessão

José-Martinho Montero Santalha, presidente da AGLP, co-presidiu a sessão

Notas:

1 A república foi um período democrático nos anos 30 do século passado no estado espanhol, que foi apagado sob o terror fascista. Ao falar do terror não estou a pensar na guerra que desatou a sublevação militar, estou pensando na aplicação sistemática do terror à população como instrumento político, terror que é bem doado ainda de se perceber a pouco que se ranhar na pele do povo da Galiza.

Hoje reconhece-se que bem mais de um ¼ de milhão de pessoas foram executadas e desaparecidas. No pequeno esforço do juiz Baltasar Garzon para sacar a luz estes temas da "memória histórica", em só quatro meses já fora feito um pequeno inventário que se afirmava longe de completo, de 222.749 pessoas executadas extrajudicialmente e desaparecidas. E sem esquecer o role do aparelho judiciário nunca expurgado nem depurado na aplicação dessa doutrina terrorista.

No ano 1952 o Fiscal Geral do Estado Espanhol gabava no seu relatório anual a magnanimidade do "el Caudilho", pois só se levaram a cabo (sic) 12.852 execuções com o "garrote vil" nos últimos anos, frente aos milhares e milhares de condenados cuja pena de morte foi comutada ou indultada pólo "el Caudilho". Tal magnanimidade e amor ao próximo é bem lógico que pola igreja católica universal espanhola fosse devidamente abençoado, com o reconhecimento de que o "el Caudilho" nas igrejas devia entrar e estar sob o pálio no mesmo grau que o Santíssimo.

2 Tamém no reconhecimento institucional na Galiza, tanto no relacionamento com as instituições como no relacionamento com empresas e entidades para os que resultávamos absolutamente marginais.

3 Com esta campanha por primeira vez o reintegracionismo estivo no dia a dia em todos os meios de comunicação de todos os países da lusofonia (todos).

4 Nisso ha que destacar o trabalho pessoal e infatigável de Ângelo Cristóvão e a razão pacífica e tranquila do professor Martinho Monteiro Santalha.

5 A RAG não é uma Academia da Língua.

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