Info Atualidade (379)

sexta-feira, 07 agosto 2020 13:42

IOLANDA ALDREI, NOVA ACADÉMICA DA AGLP

Na reunião plenária do sábado, 1 de agosto de 2020, foi eleita nova académica de número da ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA Iolanda Rodrigues Aldrei

Nasceu em Santiago de Compostela no ano 1968. Desde 2013 mora no Vale do Pico Sacro. Escritora e professora, é licenciada em Filologia Hispânica pola Universidade de Santiago de Compostela (1991) e em Filologia Galego-Portuguesa pola Universidade da Cunha (1992). Formou-se também em didática é pedagogia, com um mestrado no ano 1992 e em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa. 
As suas publicações científicas focam os âmbitos da Linguística, a Sociolinguística, os Estudos Literários e a Didática, com artigos e estudos como:  As Literaturas lusófonas, o caso da literatura galega, Revista Internacional Nós, n. 13-18- 1989,  Análise Sociolinguística do presente de Galiza e Portugal, Jornadas de Estudo Marco de Canaveses, v. 1- 1989,  A catástrofe, relato breve de Eça de Queiroz,  (em colaboração com António Gil Hernández e Ângelo Brea Hernández) Agália n. 20, 1990, Duas visões da morte e da existência :o carpe diem e o quotidie morimur: Poliziano vs. Quevedo, 1991, Revista Internacional Nós, n. 19-28- 1989, A conjunção das tradições celta é sebastianista em Na noite estrelecida de R. Cabanilhas, 1991 Revista Internacional Nós, n. 19-28- 1989, As relações da literatura galega com a portuguesa, 1991 Encontros de escritores e jornalistas da Bairrada,  Eva no recado de Eva de Lourdes Hortas, 1993, Simpósio Internacional Mulher e cultura, USC,  Aproximação ao estudo de La Reine Morte de Henry de Montherland, 1994, As vozes narrativas em Mayombé de Pepetela, 1994, Revista Internacional NÓS, n. 35-40,  A língua veicular no ensino primário e secundário na Galiza, 1995, Revista Internacional NÓS, n. 41-50,  As Literaturas lusófonas, situação atual e tipologias, Instituto de Estudos Luso-Galaicos, 1994/ Revista Internacional Nós, n. 35-40,  Notas sobre uma conversa cumprida com Jenaro Marinhas del Valle, Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa n 2, 2009, As filhas de Dana, 2014, Revista digital Palavra Comum, O Cervo do Monte (coautora com Xavier Ponte Casas) Revista digital Palavra Comum, autora da recopilação e estudo sobre Literatura Galega Contemporânea Letras para lembrar. Fragmentos de grandes obras da literatura galega Escolma e estudo Iolanda Rodríguez. LIBRO ED. Ibersaf colaboração Secretaria Geral de Política Linguística da  Junta da Galiza. Também investigou no Instituto de Ciências da Educação da USC, colaborando no Projeto de Investigação “Língua para Informar-se, saber e opinar”.
Para além de diferentes publicações culturais, antologias, livros coletivos, blogues, jornais e revistas, têm dado ao prelo e  obra literária poética (A Palavra no ar, 1990, Memória de nove lúas, 1994, O Grimório Azul de Samaná, 2011, O Segredo de Sheela na Gig, 2017, Quando a Joana voltou, 2018)  e narrativa (Entrecontar, 2020, Através Editora), assim como levado aos cenários múltiplos textos dramáticos. A narração oral é também um outro jeito de compartilhar os seus textos, do mesmo jeito que os recitais poéticos. 
Como docente trabalha no Ensino Secundário nas áreas de Artes Cénicas , da Língua e Literatura Galega e na Língua e Literatura Espanhola, na Formação do Professorado e na Direção Teatral de grupos de crianças e jovens para a interação da diversidade. 
Como ativista fez parte de diferentes associações e entidades culturais, interculturais e ecologistas e participou em múltiplos eventos culturais, reivindicativos e solidários. Também de publicações e iniciativas editoriais coletivas como  Ed. Do Dragón, Elipse, Cadernos Q de Vían ou A Porta Verde do Sétimo Andar. 
Agradece prémios, reconhecimentos e homenagens, continua a criar e investigar, também a ensinar, enquanto deixa medrar o seu ser de mãe de família e labrega na consciência do convívio na  Terra. 


 

domingo, 02 agosto 2020 17:43

Reuniões plenárias da Fundação AGLP

Reuniões plenárias da Fundação AGLP

O sábado 1 de agosto tiveram lugar, na Casa da Língua Comum de Santiago de Compostela, as reuniões da Fundação e Academia Galega da Língua Portuguesa.

Entre outros assuntos, os académicos foram informados detalhadamente das atividades realizadas durante o ano em curso, com especial atenção às relações internacionais. Foram também apresentadas e aprovadas as contas da Fundação. Acordou-se igualmente um programa de atividades para os próximos meses, que inclui diversas publicações e atividades divulgativas.

Procedeu-se, na mesma sessão, à renovação dos cargos da Comissão Executiva, e aprovaram-se as candidaturas de novos membros da Academia. 

Iolanda Rodrigues Aldrei, natural de Santiago, foi eleita nova académica de número. No capítulo dos académicos correspondentes foram eleitos, também por unanimidade, os escritores Samuel Pimenta (Portugal) e Paulo Soriano (Brasil).

A assistência produziu-se tanto de forma presencial como virtual, através de uma plataforma de internet que permite a participação, discussão e votação de todos os pontos da ordem de trabalhos.

 A composição da Comissão Executiva, que conjuga experiência e renovação, é a seguinte:

Presidência, Rudesindo Soutelo
Vice-Presidência, Ângelo Cristóvão
Secretaria, Pedro Casteleiro
Vice-Secretaria, Teresa Moure
Tesouraria, Concha Rousia
Arquivo-Biblioteca, Joám Trilho

 

Arquivo Fontenla.
A Fundação executou, durante os primeiros meses de 2020, com o apoio económico da Deputação da Corunha, a primeira parte do Projeto Fontenla, que constitui um importante património histórico da cultura e o ativismo social da Galiza. 
Esta primeira fase esteve orientada à classificação, identificação e catalogação do Arquivo doado pelo académico de honra José Luís Fontenla, que inclui, entre outros documentos relevantes, a totalidade dos originais da Comissão Galega do Acordo Ortográfico. Nos próximos meses está previsto iniciar a segunda parte do projeto, consistente na digitalização de milhares documentos, por forma a torná-los acessíveis a investigadores e académicos, através do programa Molécula. 


PROJETO DE INVENTÁRIO DE FUNDOS DA DOAÇÃO DA FAMÍLIA FONTENLA


 

Introdução:

 

A Família Fontenla doou à Fundação Academia Galega da Língua Portuguesa os seus fundos documentais e objetos de museu fruto da sua vida pessoal e profissional junto com os seus interesses sobre o conhecimento da cultura, da língua e da vida social, cultural e política galega. O pai, José Luís Fontenla Méndez (?-1999) foi mestre na república, colaborador do Seminário de Estudos Galegos e participante da Federação das Mocidades Galeguistas). O filho, José Luís Fontenla Rodriguez (1934-) jurista, escritor, pintor e ativista cultural, colaborou na fundação de editoras, revistas e jornais, participou ativamente da Comissão Galega do Acordo Ortográfico da Língua portuguesa. Os dois som figuras chave da nossa cultura e o seu acervo pode contribuir ao conhecimento da história, da sociedade e da cultura galega.

terça-feira, 19 maio 2020 16:18

Carta a D. Ricardo Carvalho Calero

O professor Ramom Reimunde assina esta carta ao seu mestre, Ricardo Carvalho Calero.

 

Carta a D. Ricardo Carvalho Calero

Ramom Reimunde

 

Caro D. Ricardo:

Escrevo-vos esta carta trinta anos depois de que vos fostes além para contar-vos o que se passou com as vossas ensinanças, neste 17 de maio em que por fim se vos dedica o Dia das Letras Galegas injustamente adiado, na onomástica engraçada de Sam Pascual Bailom, no meio desta pandémia confinada que impede celebrar a festa como vós merecíeis. Há outras doenças, como a de não poder escrever o galego como o português para toda a lusofonia planetária. Essa era a vossa mensagem.

Sei que trás tantos anos de esquecimento os vossos restos corpóreos são pó e cinza no cemitério de Boisaca, mas o vosso espírito segue vivo entre nós. Se não a vós, chegará aos vossos tudo o que está aparecendo nestes tempos: livros, banda desenhada, recitais, artigos, fotos e mesmo vídeos que tínhamos bem guardados, onde vos podemos ver e ler bem vivo e atual. As redes sociais estám que fervem com notícias e atos sobre vós.

As cousas com o reintegracionismo da nossa língua não foram tão bem como pensávamos e esperávamos utopicamente então, e mais no vosso caso, que éreis muito optimista e animador; nem foram tão mal, porque apesar de tudo o que fizeram por silenciar, sobrevivem. Passou algo similar à tão citada e louvada transição democrática de Suárez, porque tudo estava bem atado e seguiriam os mesmos de sempre aferrados ao poder sustentado pelas antigas forças vivas e económicas que tudo o governam para que nada cámbie. Com uma autonomia só administrativa, voltamos ao isolacionismo e a espanholização da língua, afastando-nos de aproximações tímidas ao filho português.

Muitos escritores e intelectuais galegos, progressistas na política e proclives ao princípio ao reintegracionismo galego-português, retrocederam e venderam-se por um miserável prato de lentilhas institucional ou editorial e foram colaboracionistas ingénuos das forças antigalegas e espanholistas, ainda alguns professores de galego.

Nos jornais e nas editoras dos 90 não nos permitiram publicar na normativa reintegrada da Agal, da que fostes membro de honra e impulsor. Porém, em silêncio, seguimos publicando livros e revistas como Agália, e dando aulas na ortografia internacional não sem problemas burocráticos. No 2000 falava-se de normativa de concórdia em mínimos reintegracionistas. Tudo foi fume. No 2008 trinta académicos demos o seguinte passo e subimos o último degrau da escada fundando a AGLP e escrevendo o galego que falamos com ortografia portuguesa. Já vos tinha comentado eu que nessa escada de mínimos a máximos tanto se podia subir como baixar, e alguns desceram à normativa oficial castelhanizante, com a que os galegos estamos perdendo utentes e falantes, e quiçá a guerra. Afinal, ganhará a última batalha a norma lusófona.

Ainda não conseguimos entrar como membros plenos na CPLP, mas lograremos. A lei Paz Andrade foi aprovada no Parlamento Galego para potenciar o conhecimento do português. Mas é letra molhada e falta vontade política e orçamento para as aulas.

Estivestes vós em vida preocupado por guardar as formas prudentes e dar uma imagem séria e científica. A vossa figura exemplar, que trataram de apagar, agranda-se com o tempo e a divulgação da vossa obra. A vossa herança chegará às novas gerações.

Não vos desanime o ostracismo que sofrestes nos últimos quarenta anos porque não poderám ocultar a pérola que havia dentro. Querem eles apropriar-se do vosso nome, mesmo insistindo no Carballo com b e ll do passado, não compartindo as vossas ideias finais sobre a língua, com hipócritas louvanças que só neste dia luzem os jornais com titulares em galego nas portadas. Diremos-lhes como os de Rompente: retirade as vossas sujas mãos de Carballo, porque Carvalho Calero é nosso, de todos, como Castelao.

Com os melhores cumprimentos do seu aluno e discípulo menor. R que R.

sexta-feira, 24 abril 2020 16:18

DOUS TEXTOS DO PROFESSOR HIGINO MARTINS

DOUS TEXTOS DO PROFESSOR HIGINO MARTINS

Estes textos que apresentamos são do nosso bem querido Académico da AGLP Higino Martins, galego de gema mas argentino de nascimento e trajetória vital, que nos tem deleitado com tantos trabalhos referidos às etimologias de palavras de duvida origem, como no livro “Etimologias obscuras ou esconsas” ou saborosas obras como “As tribos Calaicas”, onde se nos fala dos diferentes povos galaicos da antiguidade e dos possível significado dos seus nomes étnicos do ponto de vista etimológico-linguístico. Mas nada desmerecem a outras obras, como a “A gramática do Céltico Comum” na que nos mergulhamos numa imensa obra de gramática duma língua que ficou esquecida na noite dos tempos, mas nos não menos importante do que os trabalhos que lemos dele nos Congressos que a AGAL organizava nos anos 80`s e 90`s ou os que tem elaborado para a pagina da ADIGAL (Associação Civil de Amigos do Idioma Galego) organizada por galegos da argentina e da qual é presidente: http://www.adigal.org.ar/

Mais uma vez temos aqui interessantes pesquisas que nos podem fazer escarvar na historia da nossa língua para deleite dos que amam a nossa língua. Desfrutem.

 

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quarta-feira, 04 março 2020 13:30

ETERNAMENTE MALACA

POR: Concha Rousia. AGLP

 

Malaca, palavra que continua no interior a fazer-se gigante, a fazer-se fecunda, e sacra até. Pronuncio-a e sinto amigo, sinto mestre, sinto genuíno, congruente, criança que já se fez anjinho. Ouço os risos de felicidade de Deus por ter-te já ao seu lado. Hoje sinto inveja de Deus, pois nós ainda te necessitávamos, nós ainda te necessitamos. Malaca é aquele Mestre que se coloca ao lado do simples, do puro, do condenado, ao lado do que necessita, do que necessita e não tem, e do que necessita e tem, tem mas não sabe, Malaca é espelho brilhante de bondade.

 

Pronuncio o seu nome, digo João Malaca Casteleiro e abrem-se caminhos de palavras para os que deles já fóramos roubados. Conheci ao querido professor em 2008, quando veio a Santiago, junto com outro grande mestre, o Evanildo Bechara, para botar uma mão no nosso reencontro com a nossa língua; essa língua que devia de ser chamada de “galego”  mas que por vicissitudes da História deu em se chamar de “Português” Mas isso não significa que haja que renunciar a ela, nem que haja que ficar de braços cruzados quando ela é expropriada de um território que lhe é próprio: A Galiza! Mesmo quando com mãos galegas, e não só, é machucada toda vez que ela rebrota, com esse auto-ódio que se estende a tudo que leve aromas da nossa língua galaica.


Malaca veio ajudar a semear, nossa própria semente autóctone, veio com seu cesto de palavras infinitas, veio com sua caneta arar as nossas páginas feridas, veio matar a nossa sede, veio ser nosso guerreiro irmão, nosso imortal membro na AGLP. Hoje ao ouvir a palavra que anuncia a tua partida, a palavra barca que te afasta da Ribeira dos que ainda ficamos aqui mais um bocadinho, senti uma desolação amarga, breve, mas muito amarga. A tua morte dói onde dói o amigo, onde dói o irmão, onde dói a família, onde dói a carne, onde dói a carne e o espírito. É neste instante que vem a mim uma imagem da Conceição chorando-te, grande companheira sempre ao teu lado. Mas a dor, ainda que intensa, é breve porque a alegria de conhecer-te, a alegria de ter crescido ao teu lado, é tanta que ganha o combate.


Hoje venho aqui, juntar este meu molhinho de palavras, com a ousadia de quem, ainda sabendo-se humilde ali onde tu eras Grande, sente que deve gritar desde a verdade. E com essa força venho, venho apenas te dizer obrigada! Obrigada Malaca, obrigada professor, obrigada meu camarada. Hoje passam por mim imagens tantas, que guardarei como tesouros embrulhados no pano da própria pele. Foi, é, grande o teu legado, e quando digo legado não me estou a referir as inúmeras obras lexicográficas, aos vocabulários e tantas e tantas outras. Eu falo do teu legado de combatente em defesa da nossa língua. Da nossa língua extensa que navega os sete mares nos 7 ventos, como já cantamos no hino da Lusofonia, esse que criamos juntos todos no barco dos Colóquios da Lusofonia. Naquele dia navegávamos pelas águas da Ilha da magia, Florianópolis, Açoreanópolis por alguns dias de maio de 2010.


Contigo tive a honra de falar na Academia Brasileira de Letras, eu representava a Galiza; junto do magnífico anfitrião, o nosso Evanildo Bechara, e com o imbatível Chrys Chrystello, artelhador de equilíbrios impossíveis… Se eu pudesse escolher algum dia no que eu me senti honrada por caminhar ao teu lado, esse podia ser um deles. Mas há tantos, há tantos que eu agradeço. Contigo e os Colóquios da Lusofonia navegamos depois pelos mares da China, Macau fez-se casa por um tempinho para a nossa nave, que tu tão bem capitaneaste naquelas terras que para ti eram como a própria Serra da Estrela, Covilhã , A Guarda, Seia, ou Lisboa mesmo… terras cultivadas com grande amor com as tuas palavras. 


Hoje passo páginas com lágrimas, imagens que guardarei até o dia que eu partir; nelas viajo ao teu lado, vamos às furnas, e eu me abrigo no teu guarda-chuvas, eu não levara, mas não permitiste que me molhasse, era setembro, aprendi bem no princípio o bom e generoso que tu eras, Malaca. Sorrio ao lembrar as piadas no autocarro dos Colóquios pelas Lombas das terras Açoreanas, São Miguel, Santa Maria, Graciosa… Hoje as ilhas todas da Lusofonia choram por nunca mais ouvir a tua alegria, mas tu fazes parte, querido amigo, querido mestre, querido camarada, tu fazes parte da sua eternidade; da nossa eternidade, Malaca. 

 

 

O académico da AGLP Ramom Reimunde Norenha pronunciou esta palestra na terça-feira, 14 de janeiro, no salão da Deputação Provincial de Lugo.

 

 

Introdução.-

O primeiro é dar os parabéns a todos porque já estamos no ano em que por fim se dedica o Dia da Letras Galegas a D. Ricardo Carvalho Calero, e este de hoje é um dos primeiros atos comemorativos. Será todo um ano de homenagens a quem o merece.
Será também um ano intelectualmente polémico, porque cada quem quererá adaptar o homenageado às suas posições políticas e linguísticas. Se quiseram assimilar e minimizar Castelao no 86 e desde 1950, como não o iam fazer com o seu correligionário galeguista? Estão preparando-se homenagens, reedições das suas obras e sobre o autor (aqui mesmo nesta casa se imprimirá o novo Cativeiro de Fingoi, da mão de Joám Ramiro Cuba, que é garantia de bem fazer, onde se explica tudo o que fez D. Ricardo em Lugo durante quinze anos, e em Laoivento o magnífico livro de Martinho Montero ampliado), uma biografia em Ir indo de Paulo Mirás, banda desenhada da AGAL e mesmo congressos e festas. Cousas veremos! Todo um ano de celebrações à altura do mais importante linguista e estudioso da literatura galega do século passado. E não só, porque como escritor cultivou todos os géneros literários com grande qualidade.

 

Ligação para descarga abaixo.

 

Em Carvalho Calero deu-se nos derradeiros anos da sua vida uma mudança no seu uso público da língua escrita: uma mudança que podemos resumir e simbolizar na grafia do seu próprio apelido, quando começou a empregar para ele a ortografia portuguesa ou histórica "Carvalho", em vez da comum em Espanha "Carballo" (de origem castelhana, mas usual na Galiza contemporânea, e ademais, neste caso, «oficial» na sua documentação pessoal).

Como foi realmente essa mudança? Este artigo quer ocuparse desse aspecto da biografia de Carvalho.

Publicado em: Bernardo Máiz Vázquez (coord), "O Carballo que fun en Ferrol: Aproximación a Ricardo Carvalho Calero", Club de Prensa, Ferrol 2020, pp. 113-130.

Ligação para descarga.

Com grande dor e pesar a Academia Galega da Língua Portuguesa informa do falecimento do seu correspondente João Malaca Casteleiro.

O eminente linguista João Malaca Casteleiro, figura central na elaboração do novo Acordo Ortográfico, morreu na sexta-feira, aos 83 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, onde estava internado.

Malaca Casteleiro, natural de Teixoso, Covilhã, licenciou-se em Filologia Românica, em 1961, tendo obtido o doutoramento pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1979, com uma dissertação sobre a sintaxe da língua portuguesa. Professor catedrático naquela faculdade desde 1981 e membro da Academia das Ciências de Lisboa, Malaca Casteleiro foi o principal responsável na elaboração do novo Acordo Ortográfico de 1990, acordo esse que só entrou em vigor em Portugal mais de uma década depois (2009).

Foi também diretor de investigação do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, conselheiro científico do Instituto Nacional de Investigação Científica e presidiu ao Conselho Científico da Faculdade entre 1984 e 1987. Foi ainda presidente do Instituto de Lexicologia e Lexicografia entre 1991 e 2008, tendo durante a sua longa carreira de professor orientado muitas de teses de doutoramento e de mestrado.

Tinha coordenado e colaborado em diversos projectos de investigação e de edição, em Portugal e noutros países, em articulação com organismos como o Conselho da Europa, os Serviços de Educação do Governo de Macau e o Ministério da Educação, entre outros.

 

Membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1979, foi presidente do seu Instituto de Lexicologia e Lexicografia entre 1991 e 2008. Ao longo da sua carreira de professor orientou mais de meia centena de teses de doutoramento e de mestrado. João Malaca Casteleiro foi o responsável pela versão portuguesa do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, bem como coordenador científico do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, publicado em 2001, e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa editado pela Porto Editora em Outubro de 2009.

Em representação da Academia das Ciências de Lisboa, Malaca Casteleiro fez parte da delegação portuguesa ao Encontro de Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, realizado na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em maio de 1986, com presença de Isaac Alonso Estraviz, José Luís Fontenla e Adela Figueroa Panisse, em representação da Galiza. Participou também no Anteprojeto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa, em 1988, tendo visitado a maior parte dos países da CPLP nesse ano, criando as condições que conduziram ao Acordo Ortográfico de 1990, firmado nesse ano, em 12 de outubro, na Sala de Reuniões Internacionais da Academia das Ciências de Lisboa, com a adesão da Delegação de Observadores da Galiza, representada nessa ocasião por José Luís Fontenla e António Gil Hernández.

A 24 de abril de 2001 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Outra faceta menos conhecida do grande linguista português é ter sido herói de guerra, tendo salvado a vida de vários compatriotas durante a Guerra Colonial portuguesa.

 

O professor Malaca Casteleiro, grande amigo da Galiza, tomou posse como académico correspondente da AGLP em sessão solene no dia 5 de outubro de 2012, junto com os professores Chrys Chrystello, Evandro Vieira, Evanildo Bechara e Maria Dovigo, e, in absentia, Carlos Reis, Adriano Moreira, Eugénio Anacoreta Correia. Foi também acreditado académico de mérito José Luís Fontenla Rodrigues. O evento teve lugar em Ourense, no contexto dos XVIII Colóquios da Lusofonia. Participou nos seminários de lexicologia organizados em Santiago de Compostela em 2009, 2010 e 2011, tendo registado diversas entrevistas:

I Seminário de Lexicologia da AGLP - Entrevista ao professor João Malaca Casteleiro

II Seminário de Lexicologia da AGLP - Entrevista a João Malaca Casteleiro

O quarto volume do Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa rende homenagem ao professor João Malaca Casteleiro.

 

Fonte: NOTÍCIAS DE COIMBRA

 

Mais informação na web da AGLP

 

Paulo Fernández Mirás nasceu na vila de Ordes em 1990. Realizou os estudos primários e liceais na sua vila natal. Graduou-se em Filologia Inglesa na Universidade da Corunha em 2016, e em Filologia Galega e Portuguesa em 2018 na mesma universidade, onde seguiu depois cursos de Mestrado em Literatura e em Educação.
Colaborou com o jornal digital Adiante.gal e com a revista digital PalavraComum.com
É autor do livro "Ricardo Carvalho Calero, Antologia da poesia em galego", Através Editora, Santiago 2019, 239 pp.

Informação complementar:
O seu site em academia.edu
Aí podem consultar-se os seguintes trabalhos seus:
«Resenha de Claro Enigma de Drummond de Andrade»
«Discurso nacional ou discurso feminista? Breve ensaio sobre o prólogo do livro Cantares gallegos de Rosalia de Castro»
«Análise linguística do poemário Anjo de terra de Ricardo Carvalho Calero»
«Ireland through Galician Legends - Novos enfoques sobre a literatura irlandesa»
Entrevista de Valentim Fagim a Paulo Fernández Mirás no PGL (9 de fevereiro de 2018)
Artigo sobre Carvalho Calero
 

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