Info Atualidade

Montero Santalha no 10º aniversário do Movimento Defesa da Língua

  • Escrito por: MDL
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José-Martinho Montero Santalha explicará aos assistentes o projeto da Academia Galega da Língua Portuguesa

MDL - Coincidindo no mesmo dia com a IX Assembleia Geral do MDL, essa entidade organizou um almoço comemorativo do seu 10º aniversário. Sócios de diferentes organizações convidadas (Amizade Galiza-Portugal, AGAL, da Associaçom Limiá Aguilhoar, da Attac de Braga, da Esmorga, de Alto Minho, é claro) já confirmaram a sua assistência ao convívio comemorativo do MDL.

De manhã terá lugar a IX Assembleia com a ilusão característica de quem se anima sempre pela causa da língua e da cultura galega. Através da renovação do seu Conselho e da aprovação da planificação de trabalho para o novo período, o MDL continuará a procurar a representação das pessoas que na Galiza acreditam na recuperação linguística, que criam espaços e actividades de expansão da língua, que dinamizam a sociedade, que fazem recuperar a vitalidade imprescindível para umha língua viva, integrando-a no nosso “esquecido” âmbito cultural: a Lusofonia.

O almoço é o momento marcado para a celebração deste 10 aniversário entendido como encontro de velhos e novos amigos que tiveram alguma relação com o MDL durante todos estes anos. Além disso está confirmada a assistência de Martinho Santalha, promotor da Academia Galega da Língua Portuguesa que se ofereceu para explicar o projecto às pessoas assistentes.

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Defesa de uma Academia Galega da Língua Portuguesa em destaque na edição de Outubro do Frontera Notícias

  • Escrito por: Frontera Notícias
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Detalhe da capa do Frontera Notícias

"Nova Academia para a Galiza..."

Frontera Notícias - Jornal da actualidade minhota/galega faz referências à proposta do catedrático de Vigo Martinho Montero Santalha para criação de uma nova academia na Galiza que evite o «modelo castelhanizante» adoptado para a Língua Galega pela Real Academia Galega. [...]

As declarações produzidas pelo catedrático de Vigo José Martinho Montero Santalha, no âmbito do 5º Colóquio Anual da Lusofonia, em Bragança, são destacadas na edição de Outubro do Frontera Notícias, já à venda na Livraria Torga, em Ourense. «Catedrático de Vigo preconiza uma academia galega lusófona», titula o jornal, que chama o assunto para a primeira página.

O Frontera Notícias refere, com base nas declarações de Montero Santalha, que a ideia de uma Academia Galega da Língua Portuguesa se justifica cada vez mais, tendo em conta o «modelo castelhanizante» adoptado pela Real Academia Galega para o Galego.

[...]

Reportagem Frontera Notícias

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Catedrático José-Martinho Montero Santalha defendeu em Bragança criação da Academia Galega da Língua Portuguesa

  • Escrito por: Ângelo Cristóvão
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José-Martinho Montero Santalha

Instituição estaria já em processo de constituição
e visaria facilitar a incorporação da Galiza à Lusofonia

Ângelo Cristóvão - O V Colóquio Anual da Lusofonia, que teve por título "Do Reino da Galiza aos nossos dias: a Língua Portuguesa na Galiza", foi o lugar escolhido pelo professor José-Martinho Montero Santalha, catedrático da Universidade de Vigo, para expor e defender a ideia da criação da Academia Galega da Língua Portuguesa.

Foi a Quarta-feira, 4 de Outubro, aos 100 anos da criação da Real Academia Galega, que Martinho Montero Santalha lançou a ideia da constituição de uma academia galega da língua que facilite a incorporação da Galiza à lusofonia.

Entre os motivos expostos pelo professor para esta iniciativa, indica dois principais: a impossibilidade de colaboração com a Real Academia Galega – que, no seu endender, nas últimas décadas adoptou um modelo castelhanizante para o galego –, e a necessidade de a Galiza ter uma instituição capaz de a representar na CPLP e noutros organismos internacionais.

Não esqueceu o professor tratar os possíveis «obstáculos para uma iniciativa deste tipo», como os relativos a questões legais e organizativas. Contudo, considera que podem ser ultrapassados se houver vontade e compromisso com o projecto. Neste sentido fez um chamamento à participação, sem exclusões.

O debate registou nove intervenções do público, a maior parte a favor da iniciativa, enquanto outras, como a do professor Xosé Ramón Freixeiro Mato, apresentaram reticências. A questão mais discutida foi a pertinência do nome da instituição. A respeito disto salientamos algumas respostas de Montero Santalha:

«Continuar a falar de galego é um dos grandes problemas, eu creio que é um dos grandes erros continuar a chamar ao galego língua galega, porque nada ganhamos com isso e perdemos muitíssimo. Quer dizer, chamar-lhe galego por que? Por manter o nosso orgulho? Tiveram o mesmo problema os brasileiros, que utilizaram durante algum tempo no nome língua nacional, por não chamar-lhe língua portuguesa. Todo o mundo lhe chama língua portuguesa».

«A palavra tem uma força terrível, quero dizer, as palavras. Então, chamar-lhe língua galega ao que é língua portuguesa da Galiza para todo o âmbito lusófono é uma maneira de enganá-los, porque é uma maneira de fazer-lhes ver que isso não tem nada a ver com eles. Porque não se chama língua brasileira: chama-se língua portuguesa do Brasil. De modo que esta é uma das causas... Temos que ter uma instituição que para o resto do mundo lusófono seja claramente lusófona: língua portuguesa da Galiza, não língua galega. Esta é precisamente uma das causas de fazer-se [a Academia]».

A gravação do som pode ouvir-se na página web Versão Original, que também disponibiliza a comunicação do professor galego, mais uma transcrição da palestra, que inclui a «exposição de motivos» mais o interessante debate produzido.

Pequena Biografia de José-Martinho Montero Santalha

José-Martinho Montero Santalha nasceu em Cerdido (Galiza) em 1941. Frequentou o Seminário de Mondonhedo e, em Itália, realizou estudos de Teologia e Filosofia (Universidade Gregoriana de Roma). Doutorou-se em Filologia com uma tese sobre as rimas da poesia trovadoresca (em 2000, Universidade da Corunha). Muito cedo aderiu aos movimentos a prol da reintegração linguística, convertendo-se num dos principais promotores.

Durante a sua estadia em Roma (1965-1974) participou no grupo “Os Irmandinhos”, preocupados pela recuperação do galego na liturgia e na sociedade em geral. Nessa altura foi um dos assinantes do “Manifesto para a supervivência da cultura galega”, publicado na revista Seara Nova (dirigida por Rodrigues Lapa) em Setembro de 1974.

A começos da década de 80 participou na fundação de diversas associações culturais galegas, como as Irmandades da Fala, Associaçom Galega da Língua e Associação de Amizade Galiza-Portugal.

Tem publicado numerosos estudos em diversas revistas e congressos internacionais, sendo um dos autores mais prolíficos e respeitados da Galiza lusófona. Actualmente é catedrático de Língua e Literatura galega na Universidade de Vigo (Campus de Ponte Vedra). Alguns dos seus textos mais representativos são:

  • Directrices para a reintegración lingüística galego-portuguesa. Ferrol, 1979.
  • Método Prático de Língua Galego-Portuguesa. Ourense: Galiza Editora, 1983.
  • Carvalho Calero e a sua obra. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 1993.
  • "A lusofonia e a língua portuguesa da Galiza: dificuldades do presente e tarefas para o futuro". Temas de O Ensino de Linguística, Sociolinguística e Literatura, Ponte Vedra-Braga, Vol. VII-IV, núms. 27-38 (1991-1994), pp. 137-149.
  • Oxalá voltassem tempos idos! Memórias de Filipe de Amância, pajem de Dom Merlim. Santiago de Compostela: Edicións Laiovento, 1994.
  • As rimas da poesia trovadoresca galego-portuguesa: catálogo e análise. Corunha: Universidade da Corunha, Faculdade de Filologia, 2000, 3 volumes, 1796 pp. (Tese de Doutoramento).

Mais info sobre o V Colóquio Anual da Lusofonia:

Comunicação de José-Martinho Montero Santalha no V Colóquio Anual da Lusofonia

  • Escrito por: José-Martinho Montero Santalha
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José-Martinho Montero Santalha

"Um novo repto: a Academia Galega da Língua Portuguesa"

Existe na Galiza, como é sabido, uma «Real Academia Galega» e outras Academias mais, quase uma dezena, entre elas a «Real Academia Galega».

A «Real Academia Galega» tinha entre os objectivos fundacionais a atenção à língua portuguesa da Galiza. Ainda que a instituição, sempre mediatizada pelas circunstâncias políticas, nunca foi muito activa, manteve durante anos a ideia guia da unidade linguística galego-portuguesa, como fica patente pelas normativas linguísticas que promulgou. Nos últimos tempos, no entanto, essa direcção mudou no sentido isolacionista.

Em princípio, dada a existência de duas ideologias contrapostas sobre a identidade da nossa língua, a Academia podia ser um foro de encontro e debate científico e sereno. Mas alguns factos recentes parecem indicar que o caminho que se quer impor à instituição não se guia por esses critérios: os últimos membros de tendência reintegracionista (nomeadamente o professor Carvalho Calero) foram marginados, os que faleceram não foram compensados, e desde há já bastante tempo só se elegem novos membros que professem a concepção isolacionista. De facto, com as incorporações do último vinténio, o controle de qualquer actividade da instituição veio a ficar em mãos do Instituto da Língua Galega, o organismo que inventou a «língua galega independente do português» e que, por isso mesmo, foi outrora feramente rebelde e opositor às directrizes linguísticas da Academia. Por uma espécie de «síndroma de Estocolmo», a Academia foi ficando submetida ao poder do seu maior inimigo.

Vista essa situação, as perspectivas de que a «Real Academia Galega» se torne uma instituição cientificamente imparcial no assunto da língua da Galiza parecem escassas a curto prazo, e, tratando-se de uma instituição com grande dependência política, a sua evolução dependerá muito de factores políticos e, em geral, da situação política da Galiza, que resulta difícil prever.

De todos os modos, qualquer que seja o futuro da «Real Academia Galega», para os que defendemos o carácter lusófono da Galiza é óbvio que o nosso país deve contar com uma «Academia Galega da Língua Portuguesa» (de modo semelhante, por exemplo, a como os diversos países de língua espanhola possuem as suas próprias Academias da língua).

Entre outras razões, uma «Academia Galega da Língua Portuguesa» é necessária para que os organismos reitores dos critérios normativos da nossa língua nos restantes países lusófonos tenham na Galiza uma instituição congénere, que ostente com pleno direito a representação da Galiza nas decisões técnicas sobre a língua comum, prescindindo –dada a particular situação da Galiza– de se o poder político do momento as ratifica ou não.

Com este projecto, não se trataria de erigir uma instituição contra a actual «Academia Galega», mas de uma instituição alternativa, diferente, guiada por claros princípios de unidade lusófona e de cooperação com as correspondentes instituições dos demais países de língua portuguesa, e inspirada pelo amor à verdade e por um sincero respeito a qualquer outra opinião, em leal concorrência. Nem sequer deveria excluir a colaboração, ocasional ou habitual, com a «Real Academia Galega», e a possível existência de membros comuns. Mas os seus estatutos, os seus princípios reitores e os seus membros deverão estar clara e expressamente posicionados a favor do carácter lusófono da Galiza, excluindo de modo explícito e firme qualquer ideia de desmembração ou isolamento do território galego a respeito do restante âmbito linguístico português.

Evidentemente, esta instituição não interferiria de nenhum modo com os organismos de inspiração reintegracionista já existentes na Galiza, os quais devem seguir existindo com a maior vitalidade possível: as características e os objectivos de uma «Academia Galega da Língua Portuguesa» são distintos aos de organismos de tão decisiva importância, tanto para o presente como para o futuro, como são a AGAL («Associaçom Galega da Língua»), as «Irmandades da Fala de Galiza e Portugal», a «Associação de Amizade Galiza-Portugal», o MDL («Movimento Defesa da Língua»), e outros, com os quais naturalmente a nova instituição deverá colaborar estreitamente.

Sou bem consciente de que a posta em marcha de um tal organismo tropeçará com grandes obstáculos.

Antes de mais, poderão aparecer travas de tipo jurídico, e devemos esperar que os defensores da tendência isolacionista moverão todos os seus poderosos instrumentos políticos para impedir que chegue a estabelecer-se. Mas, desde a pura justiça, nenhuma razão se poderá aduzir contra a constituição de um organismo que não existe nem se pode confundir com qualquer outro.

Logo, haverá dificuldades de tipo económico: será precisa uma sede estável numa cidade importante da Galiza –preferivelmente em Santiago– e a publicação dalgum órgão oficial.

E finalmente não deixará de haver, como sempre sucede nestes casos, os problemas de índole pessoal: por muito grande que seja o número de membros que se estabeleçam, não todas as pessoas que o merecem poderão ter cabida, o qual pode provocar em alguns ressentimento e até aversão.

Mas com todas estas dificuldades há que contar para qualquer cousa que se faça, e não creio que nenhuma delas seja insuperável se a comissão promotora souber agir com tino e com espírito aberto, alheio a todo género de sectarismo.

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Fonte original dos documentos: Versão Original

António Gil Hernández: «Considero necessário constituir uma Academia Galega da Língua Portuguesa»

  • Escrito por: PGL
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António Gil Hernández; desenho de Carmen Novoa Diz (Ginzo de Límia, 1951- Acrunha, 2002) III Seminário de Políticas Linguísticas, a decorrer de 26 a 28 de Março, divulga obra do professor António Gil Hernández e a análise da situação sociolinguística galega actual

PGL - É uma das pessoas chave do impusionamento, em seu dia, do reintegracionismo organizado. Co-fundador da AGAL, o seu muito trabalho dedicado a defesa, promoção e luta pela dignidade do português da Galiza será alvo de estudo, análise e divulgação no III Seminário de Políticas Linguísticas, agendado de 26 a 28 de Março na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Santiago e organizado pela Associação Amizade Galiza-Portugal. Do PGL quisemos conhecer em primeira mão alguma das opiniões do Prof. Gil Hernández, que amavelmente nos atendeu.

Após três decadas de trabalho sociolinguístico na Galiza, resta-lhe um algo por fazer ou por oferecer a respeito?

Permito-me avisar que o meu trabalho não é estritamente sociolinguístico nem propriamente sociológico; talvez nem seja trabalho... Eu fui fazendo nos âmbitos do reintegracionismo um jeito de atividades diversas que nem sei como denominar: de IDEAÇÃO?, de ORGANIZAÇÃO? de AÇÃO? Pode ser. Na realidade os meus textos contêm uma mistura desses três aspetos, nem sempre equilibrada. Ousaria afirmar que todos eles se ajustam ao que digo na nota inicial do livro Temas de Linguística Política:

Apenas me aventuro a comentar faces da situação idiomática galega antes por mim ignoradas (ou quase). Exponho-as com o intuito de que outros, cientistas, sábios ou teorizadores, investiguem (e completem) dados, discutam teorias (quase nem esboçadas neste texto), compartilhem (ou não) opiniões e o que houver de saberes: destarte talvez logrem fazer ciência a partir do que nem alcança o rango de experiência arrazoada.

Bom, ao caso: Acho que não me "resta" muito a fazer (depois do feito); talvez me "some" e me "sume" demais. Quero dizer que (pela minha "culpa") estou metido aparentemente num beco sem saída, num enguedelho fatal que, como a droga, cria dependência, embora, a teor da "racionalidade" nacionalista espanhola, careça de futuro. Contudo, é justamente isso que o torna mais aliciante. Pelo menos para mim.

Seja como for, o verso inicial do poema "Penélope", de Díaz Castro, parece ser, para grande parte dos notáveis galegos e dos menos notáveis, o guia das suas atuações: "Um passo adiante e dous atrás, Galiza." Essa, para alguns, teima, mas para mim incitamento e alicerce de racionalização, acompanha-se doutra teima-incitamento, que se compendia no consenso arredor de silêncios sobre pessoas e, mormente, sobre assuntos vitais, que parecem envolver esta Terra.

A AGAL comemora neste 2006 25 anos da sua criação. O que é o mais gratificante para você nos 25 anos de reintegracionismo organizado?

A pergunta, como todas, é inocente, mas a resposta não o será. Vejamos. Enquanto co-fundador [sic] da AGAL, vou aos cornos do touro como forcado, forçado, e respondo:

1.- Satisfaz-me a difusão do reintegracionismo. Tenho na mente protagonistas certos: Pessoas galegas, nadas nesta Terra ou noutras, a julgarem necessário que a Galiza alcance existência digna, como conjunto humano, como sociedade organizada. Um dos meios para o conseguir, a meu ver elementar, é a língua, mas como no mundo das ciências sociais e da política se entende (e funciona): como LÍNGUA NACIONAL.

Cada vez mais pessoas, acho, entendem que a dignidade da Galiza alicerça na dignificação da sua língua e da correlativa rede comunicacional, fazendo com que aquela se torne em LÍNGUA NACIONAL, a começar pela forma (a ultrapasar a ortografia simples).

2.- Porém, não me satisfaz o facto de a concepção reintegracionista, lusofónica, ainda carecer de práticas extensas. De atrás venho dizendo que, se na Galiza houvesse vinte ou trinta pessoas (notáveis) que praticassem consequentemente a Lusofonia, já estaria refreada a "guerra normativa" (que lhe dizem). Portanto, não me agrada que os notáveis (essas possíveis trinta pessoas...) não queiram aproveitar o facto de os países da Lusofonia terem admitido a Galiza nos ACORDOS do Rio (1986) e de Lisboa (1990) a meio da representação de Organizações Não Governamentais. (E não só porque eu estivesse no de Lisboa...)

Nos últimos anos, no entanto, deu a baixa da AGAL. O que é que não gosta da actual linha dessa associação?

Antes de mais nada hei-de dizer que não dei nenhum passo para me retirar da AGAL. Sim reconheço que, como já o tenho explicado em mensagens ao PGL, estou longe bastante dos atuais critérios do Conselho e da Comissom Linguística, de que fiz parte.

Não discuto nem discutirei atividades realizadas ou por realizar; não são essas as que me afastam da AGAL.

Porém, discuto o encravamento, esse ficar detido, como se algum Ente paralisasse a Associaçom e a impedisse aproximar-se do português comum, sob o pretexto de não ser forma adequada às falas galegas. Discuto-o porque os reticentes a essa aproximação (como hispanófonos que também são) têm constância da propriedade do castelhano comum relativamente aos diversos e mesmo divergentes castelhanos que pelo mundo adiante há.

Quando bastantes membros da AGAL singularmente deram o passo às formas comuns e, mormente, quando na Lusofonia está a avançar, apesar de tudo, a assunção do Acordo de Lisboa, que necessitadamente será cumprido num prazo relativamente curto, carece de todo o sentido esse teimar em construir uma norma gráfica galega, face (ou contra) a portuguesa e brasileira.

A meu ver, o trabalho dos notáveis galegos lusófonos deve visar dous pontos, fulcrais:

a) A ORTOFONIA galega. Acho que não é objetivo menor, sobretudo porque o isolacionismo imperante (em que estamos envolvidos) está a "fixar" uma fonia nada galega, descerradamente castelhana, mas castelhana de Castela, nem sequer andaluza ou canária, que em grande medida desvirtuariam menos o sotaque galego (refiro-me ao "sesseio" e à pronúncia apical do S, como é habitual na Costa da Morte). Seja dito pelo direito, sem reviravoltas.

b) O LÉXICO galego (a incluir, por exemplo, preferências sufixais). Bastaria tomar como base e ponto de partida os dicionários Estraviz (galego), Houaiss (brasileiro) e Malaca (português).

Por sinal, vê hipôtese de uma [necessária] unidade de acção do movimento reintegracionista galego? É possível?

Essa unidade foi conseguida em diferentes ocasiões. Deveras a unidade de ação é necessária, como necessária é a diversificação de atividades: Não podem nem devem fazer todos o mesmo; sobejam mais explicações, acho. A unidade de ação deve evidenciar-se nas ações ad extra, para fora da "Comunidad Autónoma de Galicia", face à Galiza "exterior" espanhola (as Astúrias, o Berzo) e face à "Galiza portuguesa", face ao Brasil e os PALOPes e, mormente, face às instituições, como as "Cortes" espanholas ou o Parlamento europeu.

Todavia, há uma unidade prévia, ainda a conseguir, como apontei acima: Deve ser ultrapassado o polimorfismo na escrita, que deve ser comum. Hoje constituir uma norma gráfica galega, simétrica da portuguesa e da brasileira (segundo cá costuma presumir-se) nem para dentro nem para fora tem sentido, porque essas são, apesar de tudo, variedades da norma gráfica comum, enquanto a norma gráfica galega que a AGAL promove não pode ser considerada (a meu ver) simples variedade de aquelas.

Insisto: Faça a Comissom Linguística da AGAL o seu labor, depois de assumir que a Galiza fez parte nos Acordos do Rio e de Lisboa, e forneça ao reintegracionismo todo a ORTOFONIA e o LÉXICO galegos dentro da norma gráfica comum.

Ainda mais: Considero necessário constituir uma ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGESA, velha proposta e aspiração do amigo Martinho, que o "Reino de España" dificilmente permitirá, mas que na República portuguesa pode ser legalizada com relativa facilidade. O reintegracionismo galego teria então uma referência comum, para além de associações e mesmo de atividades diversificadas, que contribuiria eficazmente a criar a consciência de universalidade, de que tanto precisam a Galiza e os seus notáveis.

Montero Santalha, de um par de anos para cá, está a divulgar um dado esmagador: Nos dias de hoje apenas 5,3% das crianças se instalam em galego (ou português da Galiza). Quais as causas para termos chegado a essa situação e quais os remédios para revertê-la?

Curiosa e nada paradoxalmente essas causas (e motivações) são re-conhecidas e até compartilhadas por isolacionistas e não isolacionistas. Mas que é o que acontece? Uns refugiam-se sob as instituições espanholas, depois de as declararem "normalizadoras" natas do "galego normativo". Outros (a grande maioria), perante tal razoamento "democrático", caem num estado de catatonia social e idiomática. Por fim bastantes progredimos como podemos... e como nos deixam todos eles.

Opino que do "Reino de España" apenas deve esperar-se (e exigir-se) que, se for estado democrático, cumpra o "Título I" da sua Constitución (1978) e não estorve aos cidadãos espanhóis (que somos) o exercício dos direitos fundamentais. Dos artigos desse Título, acho que os fundamentais são o 10.º § 2 e o 14.º. Vou permitir-me citá-los:

"Las normas relativas a los derechos fundamentales y a las libertades que la Constitución reconoce se interpretarán de conformidad con la Declaración Universal de Derechos Humanos y los tratados y acuerdos internacionales sobre las mismas materias ratificados por España" e "Los españoles son iguales ante la ley, sin que pueda prevalecer discriminación alguna por razón de nacimiento, raza, sexo, religión, opinión o cualquier otra condición o circunstancia personal o social."

Há esperança, porém, para a sobrevivência da língua na Galiza? O reintegracionismo, como proposta e como movimento, pode ainda ser peça-chave?

Se dissesse que não há esperança, seria o mais miserável dos humanos (apesar de tudo, existem castelhanos humanos...). Há esperança enquanto há vida. Contudo, para responder a pergunta, acudo a um critério prático, que enuncio assim:

"Enquanto o "Reino de España" dedique dinheiros e entidades suas (RAGa, ILGa, JdGa, ...) a "normalizar" o "galego normativo", há esperança de o Galego ou português galego poder alcançar, contra esses dinheiros e entidades, a normalidade, prévia à naturalização dos novos utentes."

Por outras palavras: Quando não haja possibilidade de recuo na incorporação de utentes de Galego —falantes e/ou escreventes—, desde esse momento o "Reino de España" deixará de executar [sic] ações "normalizadoras" do seu "galego normativo". Aduzirá "razões" "democráticas", que mais ou menos soarão: "Como la mayoría ya no quiere hablar gallego, no podemos obligar a que se use masivamente. Por lo tanto, dejamos de dar subvenciones y otras ayudas."

De facto assim vem procedendo: Quando nega subsídios porque não é utilizado o "galego normativo". Quando na distribuição de "axudas" não atende à qualidade do texto, mas à obediente fugida de "todo o alleo ó galego". Quando são alternativamente premiados os bons servidores do Reino (o júri de hoje é amanhã objeto de prémio), etc.

Aliás, passaram a reduzir o uso de "galego normativo" nos média ou a enredá-lo com a "copla española" e com visitantes egrégios hispanófonos... É certo que por vezes aparece nas ondas algum lusófono, mas quando, quanto e em que condições?

Seja como for, o Reino está a dedicar dinheiros excessivos e muitas entidades (com gentes que recebem os dinheiros) a "normalizar" o "galego normativo"... Portanto, como acima digo, há esperança para o português galego, para a Lusofonia galaica.

Qual é o papel do reintegracionismo em todo esse processo? Básico e "altúrico". Se os reintegracionistas não tivessem agido e agitado na Galiza, haveria tempo que o processo aniquilador do português galego (e do "galego normativo"!) estaria muito avançado, muito mais avançado do que hoje está. O reintegracionismo, acho, é a base e a altura do processo normalizador da sociedade galega e do consequente processo naturalizador da sua LÍNGUA NACIONAL.

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