Info Atualidade (422)

Celebração da vida, da cultura e da língua da Galiza na homenagem da AGLP a António Gil Hernández

O professor, ensaísta e poeta foi apresentado como “o homem que escolheu ser galego” e “um referente moral e ético para esta e as vindouras gerações”.  Gil anunciou que está a trabalhar na edição da obra de João Vicente Biqueira

 

Como “o homem que escolheu ser galego” e “um referente moral e ético para esta e as vindouras gerações” foi apresentado o professor, ensaísta e poeta António Gil Hernández (Valhadolid, 1941) na homenagem que promoveu a Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP, da qual ele é membro numerário e diretor do seu Boletim, e foi uma das pessoas fundadoras) para honrar a sua trajetória. Foi um ato de celebração da vida, da cultura e de uma língua com futuro para a Galiza. Para participar deslocaram-se até a vila da Bandeira pessoas da Corunha, Vigo, Santiago de Compostela, Ourense, Fene, Padrão, Ames, Boqueijão, Ordes, Ginço de Límia, Vilar de Santos, Santa Marinha de Águas Santas, Ponte Caldelas, Amoeiro, da Marinha de Lugo, Madrid, Portugal..., para além de vizinhança do Concelho de Silheda, onde agora reside o homenageado.

Na inauguração intervieram o presidente da AGLP, Rudesindo Soutelo; a presidenta da Câmara Municipal de Silheda, Paula Fernández, quem estava acompanhada da relatora municipal de Cultura; Juan Liñares, da Asociación Cultural Vista Alegre da Bandeira, em cuja sede tiveram lugar as atividades; e José Manuel Goris, também vizinho da Bandeira e que atuou de porta-voz da Associação Pro-AGLP.

Esta atividade organizou-se na sequência do 15º Aniversário da AGLP, que está a ser comemorado em 2024. O presidente desta instituição, Rudesindo Soutelo, referiu-se à produção intelectual e literária, além de ao ativismo cívico e cultural de Gil Hernández na sua trajetória das últimas décadas na Galiza. Assinalou-o como “um referente moral e ético para esta e as vindouras gerações. A nossa Academia, que mantém atualmente um papel institucional no país, com interlocução junto dos poderes públicos, e fazendo parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em qualidade de entidade observadora, orgulha-se em organizar este encontro-homenagem e em ter no seu seio um dos notáveis da intelectualidade e dos escritores nacionais: António Gil”.

Nas celebrações estiveram presentes docentes de universidades e do ensino não universitário. Acudiu José Luís Rodríguez, quem foi professor de António Gil no seu tempo de estudante na Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela; e depois coincidiram ambos no quadro professoral dessa instituição académica (José Luís em Compostela, António na Corunha). Também se aderiram muitas pessoas que foram colegas do homenageado: colegas de profissão mas também de vida, de construção de projetos e iniciativas em que se envolveu desde que em 1968 se deslocou para a Galiza e se implicou muito ativamente na vida, na cultura e no trabalho em prol de um melhor e mais próspero futuro para a língua.

A professora catedrática Iolanda Rodrigues Aldrei exerceu de relatora desta bela atividade, que ocupou toda a manhã e finalizou no meio da tarde no mosteiro do Carvoeiro, que é “o primeiro monumento declarado Bem de Interesse Cultural da Galiza”, segundo salientou Paula Fernández. A presidenta da Câmara Municipal de Silheda também destacou a generosidade de António Gil e da sua família, por terem cedido para o património público uma peça de valor histórico-artístico. A Associação Vista Alegre ressaltou como o belo espaço onde se celebrava a homenagem tivera a sua origem no esforço da comunidade emigrante, nos inícios do século passado; e também honrou Gil Hernández com um “Viva!” ao estilo da tradição do carnaval da vila. Ao ato também se somou a Fundação Meendinho, que representou o seu presidente, Alexandre Banhos.

 

Uma língua viva e vigorosa

Na continuação dos discursos foi inaugurada a exposição de banda desenhada A nossa língua no mundo, elaborada a partir de um roteiro de Gil Hernández e com trabalho artístico de José Goris. Nela evidencia-se como a Galiza tem uma língua viva e vigorosa. A exposição permanecerá um tempo na sede da Associação Cultural Vista Alegre da Bandeira, e depois pretende-se que visite outros espaços da Galiza. Nesta iniciativa faz-se um percurso através da História da Galiza e da sua língua, com destaque para vultos como Rosalia de Castro, Castelao, Celso Emílio Ferreiro, Ramóm Cabanilhas, e mais. Salienta-se como a língua própria da Galiza, o português galego, serve para a comunicação com os países hoje integrados na Comunidade de Países da Língua Portuguesa. Põe em destaque fitos do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor, e finaliza com uma alusão ao hino galego.

 

Pioneiro na incorporação do galego no ensino não universitário

Numa mesa redonda, em que participaram César Morán, Maria das Dores Rei e Alfredo Ferreiro, foi analisada a produção de António Gil Hernández sob diferentes aspetos. Entre eles salientou-se como foi pioneiro na incorporação do galego ao ensino não universitário o primeiro ano que foi autorizado, no centro de secundária da Corunha onde na altura exercia a docência.

Anos antes, Gil Hernández lecionou Língua Espanhola, Crítica Literária e Introdução à Línguística no Colégio Universitário da Corunha, que dependia da Universidade de Santiago de Compostela (antes da posta em andamento da Universidade da Corunha). Desse tempo falou o professor César Morán Fraga, quem foi aluno seu nesse centro entre 1975 e 1977. Morán Fraga salientou o trabaho profissional de António Gil, assim como o facto de ter dinamizado outras atividades, e julgou-o como “pessoa ilustrada e provocadora”.

Maria das Dores Rei, quem coincidiu com António Gil como docente no liceu Salvador de Madariaga da Corunha, referiu-se a ele como “o meu colega e meu mestre”. Lembrou como tinham colaborado na elaboração de materiais e propostas para ministrar a disciplina de Língua Galega e Literatura, pois eles foram a quem correspondeu essa tarefa pioneira no centro de ensino secundário.

Alfredo Ferreiro apresentou a poesia de Gil Hernández. Deteve-se em volumes como Baralha de Sonhos ou Luzes e Espírito, e outros produtos. Este crítico, juntamente com Concha Rousia, Rosa Lourenzo, José Manuel Barbosa, Joám Trilho, Pedro Casteleiro, José Martinho Montero Santalha e Adela Figueroa, deram leitura a poemas de Gil Hernández, que se distribuíram numa publicação editada para esta atividade.

 

Contributos desde Londres, Lisboa e Nottingham

Houve assim mesmo três intervenções desde o exterior. A primeira, de Saleta Gil Lourenzo, filha de António Gil e Rosa Lourenzo, quem enviou um contributo desde Londres, onde reside. Lembrou instantes de relevo na convivência familiar, contatos com diversas figuras e valorizou a produção do seu pai sob diferentes aspetos.

Maria Dovigo e Álvaro Vidal Boução, que exercem a docência em Lisboa e na Universidade de Nottingham (Reino Unido), respetivamente, intervieram por vídeoconferência para salientarem a sua convivência com António Gil como professor e sociolinguista.

Maria Dovigo foi aluna dele no centro de secundária Salvador de Madariaga nos finais da década de 1980-1990. “Lembro muito as tuas aulas”, afirmou. Salientou que agora, ao exercer ela como docente, tenta com o seu alunado “ter respeito, como tu tinhas por nós”. Dovigo memorou que graças a Gil Hernández conheceu como “no português tinha um mundo na minha própria língua” e como aprendeu também a “não sentir as fronteiras que nos iam sendo colocadas, como a da ortografia”. Indicou que aprendeu de Gil Hernández estratégias para o ensino que está a aplicar com sucesso, bem como o “amor pela cultura e pela democracia”.

Álvaro Vidal, filólogo e professor da Universidade de Nottingham, quem teve amizade e relação de longa data com o homenageado, lembrou o seu relacionamento entre ambos e mais pessoas na Corunha, e a participação conjunta em atividades como os congressos da língua galego-portuguesa na Galiza, que organizava a Associaçom Galega da Língua (AGAL, outra entidade de que Gil foi promotor, como da revista Agália). A AGLP anunciou que disponibilizará em breve estas intervenções com a divulgação de vídeos.

O ato continuou com a projeção de dois vídeos de enorme interesse, realizados por José Goris: um sobre a trajetória de António Gil Hernández, e outro centrado na homenagem que lhe foi tributada no ano 2006 na sequência do III Seminário de Política Linguísticas.

 

Aprender de Biqueira e editar a sua obra

Finalizou a atividade da manhã com o lançamento do volume Johán Vicente Viqueira. João Vicente Biqueira (1924-2024). Poemas e Ensaios. É de recente publicação, sob a chancela da editora Através, de Santiago de Compostela, em edição que promove a AGLP. O livro foi preparado por António Gil Hernández e contribui para a comemoração do centenário da morte de Biqueira, um dos grandes vultos da Galiza do século XX, avançado no reconhecimento do português como língua da Galiza.

No lançamento participaram, além de Gil Hernández, a poeta e académica Concha Rousia e o professor José António Lozano. Lozano lembrou o seu relacionamento com António Gil, também na Corunha, desde há 38 anos. Salientou dele o facto de “pôr a dignidade humana em primeiro lugar”. Destacou a figura de Biqueira como “europeísta”, na tendência do galeguismo da época.

Nas intervenções ressaltou-se o contacto de Biqueira com figuras do seu tempo, da Galiza e da Europa. Entre essas figuras há vultos hoje canonizados do Galeguismo, da Psicologia, da Filosofia e da Literatura da Europa, como Castelao, Fernando Pessoa, Leonardo Coimbra, Wilhelm Wundt, Henri Bergson, William James, bem como com representantes do krausismo e da Institución Libre de la Enseñanza do Estado Espanhol. Gil Hernández afirmou que “Aprendi de Biqueira a procura da harmonia”.

A última intervenção da manhã foi de César Morán, quem com a sua guitarra interpretou duas poesias de João Vicente Biqueira musicadas por ele.

Por volta de meio cento de pessoas participaram na continuação num almoço, em que Gil Hernández anunciou que está a trabalhar na edição da produção de João Vicente Biqueira. Rosa Lourenzo, a sua companheira de vida, agradeceu os anos da convivência familiar com António Gil Hernández, lembrou vários aspetos da sua produção, e também evidenciou gratidão para com as pessoas que tinham mantido acesso como ele o reintegracionismo na Galiza nas últimas décadas. José Martinho Montero Santalha, professor catedrático da Universidade de Vigo e primeiro presidente da AGLP, ofereceu um brinde em honra de António Gil Hernández ao que se uniram as pessoas presentes, que foi seguido do oferecido por Rosa Lourenzo, esposa e companheira de vida do homenageado e do discurso de agradecimento de António Gil. A visita ao mosteiro de Carvoeiro com uma fotografia final de grupo fechou esta merecida e justa homenagem.

No final do ato, a professora e escritora Iolanda Aldrei, como porta-voz da organização, valorizava que “A merecida homenagem ao António representa os valores que devemos preservar como povo: o reconhecimento do mestre humilde e constantes que com a sua bondade natural, a sua sensibilidade, a sua inteligência e cultura soube cultivar no território no que aninhou o respeito para si, para a língua e para a vontade de permanência de uma justiça e uma dignidade merecidas”.

Galeria de imagens e discurso do presidente da AGLP, abaixo.

 

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Homenagem ao Académico de Número António Gil Hernández

O doutor Gil Hernández na Casa da Língua Comum

A Academia Galega da Língua Portuguesa reconhece o 15 de junho a sua trajetória científica, docente e literária nos últimos 40 anos

Dentro dos atos do 15º aniversário da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), terá lugar uma merecida Homenagem ao Académico de Número António Gil Hernández (Valhadolid, 1941) quem desde o ano 2008 é diretor do Boletim da AGLP. Será um reconhecimento à sua trajetória científica, docente e literária. Decorrerá a homenagem ao longo do dia 15 de junho de 2024 no Centro Cultural da Associação Vista Alegre, Rua Vista Alegre 16, de Bandeira, do Concelho de Silheda (Galiza), lugar de residência do homenageado.

As atividades estão agendadas a partir das 11.00 horas da manhã. Principiam com um acolhimento e honra, com representação da Câmara Municipal de Silleda, Presidente da AGLP, representantes da Associação PRÓ-AGLP, e da vizinhança da Bandeira. Na continuação, por volta das 11.20 será inaugurada uma exposição; pelas 11.40 terá lugar um Painel-homenagem; pelas 12.40 será projetado um vídeo; e, das 13.00 horas em diante, acontecerá o lançamento do livro de António Gil Hernández Johán Vicente Viqueira. João Vicente Biqueira (1924-2024). Poemas e Ensaios, recém-publicado sob a chancela da Através, em edição que promove a AGLP, na sequência da celebração, neste ano, do centenário da morte deste grande vulto da Galiza. As atividades da manhã finalizarão com a leitura de poemas e música. Após o almoço, por volta das 17.30 horas, haverá um encontro no Mosteiro de Carvoeiro.

 

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Dia da Língua Portuguesa e Culturas da CPLP

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e as entidades que dela fazemos parte celebramos o 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa e Culturas da CPLP com uma variedade de atos em todos os países membros.

A Academia Galega da Língua Portuguesa decidiu realizar esta celebração o sábado 11 de maio, dentro das XII Jornadas Galego-Portuguesas de Pitões das Júnias, em Montalegre (Portugal)

Carris: Programa das XXII Jornadas Galego-portuguesas de Pitões das Júnias (carris-geres.blogspot.com)

 

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15 anos da AGLP, da criação ao futuro

Pleno da Assembleia da Academia Galega da Língua Portuguesa.


Pelas 16 h. do dia 16 está convocado um pleno da Academia, após o que a Casa da Língua Comum se abrirá ao público para uma mesa colóquio e um recital poético , c omo ante sala dos atos que no ano 2024 vão ser realizados em comemoração do décimo quinto aniversário da criação da Academia Galega da Língua Portuguesa.


A manhã, 16 de dezembro, a partir das 19 h. serão aberto ao público, com o programa a seguir:
15 anos da AGLP, da criação ao futuro

Casa da Língua Comum, Santiago de Compostela, 16 de dezembro de 2023, 19 h.
Mesa Colóquio apresentada e moderada por Rudesindo Soutelo
Com:
António Gil, Concha Rousia , Paulo Fernández Mirás e Antia Cortiças Leira

Recital poético

- Samuel Pimenta
- Alfredo Ferreiro
- Em representação do Clube dos Poetas Vivos: José Manuel Barbosa e Concha Rousia
- Pedro Casteleiro
- Iolanda Aldrei

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A Academia Galega publica vídeos do Dia da Academia de 2023

 Celebrado o dia 7 de outubro, inclui no ato inaugural os discursos institucionais de Rudesindo Soutelo, presidente da AGLP, o Prof. Manuel Lemos de Sousa, representante da Academia das Ciências de Lisboa, e o Doutor Rui Lourido, representante da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, e da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP.

 

 Seguindo o programa, em segundo lugar foi a vez dos discursos de tomada de posse como académico numerário de Paulo Fernandes Mirás, e das numerárias Antia Cortiças Leira e Iolanda Rodrigues Aldrei. O discurso de receção em nome da comunidade académica foi proferido pelo professor António Gil Hernández.


 Em terceiro lugar iniciou-se o breve concerto literário, com interpretação musical de obras de Rudesindo Soutelo: 'Borobó', 'Manuel Maria', 'Teresa Moure' e 'Carlos Durão'. A interpretação correu a  cargo do duo de saxofonistas composto por Rafael Yebra e Miguel Bargiela.


 Finalmente foi o lugar da homenagem ao saudoso académico Carlos Durão, com um recital poético a cargo de Adela Figueroa, Pedro Casteleiro, Maria Castelo, Alfredo Ferreiro, Concha Rousia, António Gil, Iolanda Aldrei, Ramom Reimunde, Irene Veiga e Paulo Mirás.

 

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AGLP mantém reuniões no âmbito municipal e parlamentar galego.

O Presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa, Rudesindo Soutelo, e o Vice-Presidente, Ângelo Cristóvão, mantiveram reuniões o dia 3 de outubro, em Santiago de Compostela. Com o Porta-Voz do Grupo Municipal do Partido Popular, Borja Verea. Em dependências da Câmara Municipal, apresentaram propostas para desenvolver uma política ambiciosa para a cidade, orientada à projeção da capital galega no espaço lusófono, no quadro da sua função como observadora na União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), organização de que faz parte desde 2016.

Ainda na mesma jornada reuniram nas dependências do Grupo Parlamentar Socialista, com o Porta-Voz Luís Manuel Álvarez e a deputada Noa Díaz, responsável pela área de cultura. Durante largos minutos trataram diversos aspetos relativos à deficiente aplicação da Lei Paz-Andrade, e as possibilidades de avançar no desenvolvimento dessa norma legal, aprovada pela unanimidade dos deputados do Parlamento da Galiza em março de 2014.

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Falecimento de Georgina Benrós de Mello

É com profunda dor que damos notícia do falecimento de Georgina Benrós de Mello (Mindelo, Cabo Verde, 1.12.1953- Lisboa, 7.10.2023). Diretora-geral da CPLP- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa entre 2014 e 2020, formada em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, exerceu a sua profissão em Cabo Verde e Timor Leste no setor público e privado.

Contamos com a sua presença no II Encontro de Mulheres da Lusofonia, realizado em Santiago de Compostela em abril de 2018, em parceria com a UMAR, e na 1ª conferência da Comissão Temática de Promoção e Difusão da Língua Portuguesa “Juventude, diásporas e mobilidade académica”, em outubro de 2019.

Acabado o seu mandato à frente da CPLP, deu o seu testemunho para o livro “Histórias e Memórias de Mulheres de Cabo Verde em Portugal” (2021), do projeto “Memória e Feminismos” da UMAR, ONG histórica de defesa dos direitos das mulheres em Portugal, parceira da Pró-AGLP. Tivemos a oportunidade e o privilégio de contar com o relato da sua história de vida, da sua participação na libertação de Cabo Verde e na construção da sua democracia e do seu papel protagonista na criação da OMCV-Organização de Mulheres de Cabo Verde.

Georgina Benrós de Mello é para nós um exemplo de exercício de um cargo para melhorar as condições de vida das pessoas, pois, como ela dizia, queria ajudar. O seu carisma, a sua empatia, a sua determinação, a sua elegância e a generosidade com que partilhava a sua sabedoria ficarão para sempre na nossa memória.

Enviamos as nossas condolências aos seus filhos, extensivas aos/as restantes familiares, amigos/as e colegas.

https://www.academiagalega.org/academia/info-atualidade/item/1871-visita-%C3%A0-cplp.html

 

https://www.academiagalega.org/videos/ii-encontro-mulheres-da-lusofonia/entrevista-georgina-benrs.html

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FALECIMENTO DO ACADÉMICO CARLOS DURÃO

É com imensa dor que temos que comunicar o passamento do nosso companheiro académico CARLOS DURÃO RODRIGUES, hoje, oito de setembro, em Vigo. Em nome da Comissão Executiva e de todas as pessoas que fazem parte da ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA, enviamos à família e aos seres queridos as nossas mais profundas condolências.

Carlos Durão Rodrigues

Nasceu em Madrid, de família galega com tradição emigrante (Brasil, Catalunha, Cuba, Venezuela), com a que morou nos primeiros anos em diversas localidades galegas (Escudeiros, Ferrol, a Granha, Guimarei, Riba d'Ávia, Tevra, Vigo, Víncios), o que lhe mostrou clara perspetiva da variedade das falas galegas. Estudou em Vigo (bacharelato), Santiago (começo de estudos universitários) e Madrid (licenciatura de Filosofia e Letras, ramo de germânicas), donde partiu para Londres, em regime de intercâmbio universitário por dois anos, e em situação de exílio até à morte do general Franco. Foi professor de idiomas em colégios ingleses, redator radiofônico no Serviço Espanhol e Português da BBC, e tradutor técnico em organismos britânicos e do sistema da ONU.

Em Londres participou em diversos movimentos dos anos 60, com bascos, catalães, galegos e portugueses; manteve contatos com o derradeiro cônsul da República Espanhola, com membros do Conselho da Galiza e com outros exilados.

Em 1970 foi cofundador do Grupo de Trabalho Galego de Londres, que publicou um Boletim para familiarizar os mestres rurais galegos com a primeira  Lei do Ensino : ao seu  Suplemento  contribuíram os professores portugueses Agostinho da Silva e Rodrigues Lapa, e nele fizeram-se uns primeiros ensaios de adaptação de textos galegos à ortografia internacional. O Grupo de Trabalho Galego de Londres publicou um  Plano Pedagógico Galego  (1971).

Com Guerra da Cal teve uma relação assídua quando este residiu em Londres nos anos 90. Também durante muitos anos com o galeguismo do interior em geral, e mais tarde particularmente com o reintegracionismo.

Como membro do Comité de Cultura do Centro Galego de Londres, organizou durante muitos anos atividades como o Dia das Letras Galegas, o Dia da Pátria Galega, a biblioteca e a revista do Centro, participando também em revistas da emigração, conferências, etc. E deslocou-se para atividades semelhantes a outros centros de emigração galega na Europa (Amesterdão, Genebra, Groninga, Munique). Representou o CGL na IV Reunião da Federação Mundial de Sociedades Galegas da Emigração (Santiago, 1984), no Comité Britânico pró Jacobeu (Londres e Santiago, 1993), e na 1st Oxford Conference on Galician Studies (1991).

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João Laurentino Neves, novo Diretor Executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)

No dia 9 de janeiro decorreu na sede da CPLP em Lisboa a cerimónia de tomada de posse do novo diretor executivo do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), João Laurentino Costa Pinho Neves, primeiro nacional português a exercer esta carga. Sucede ao guineense Incanha Intumbo, diretor do IILP desde 2018. A académica Maria Dovigo participou no ato em representação da ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA.

Para além da intervenção do novo diretor executivo do IILP, o ato contorno com as intervenções do Secretário Executivo da CPLP, o timorense Zacarias da Costa, do Representante Permanente de Angola junto da CPLP, presidente em exercício da CPLP, Oliveira Encoge, e do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, Francisco André. Todos eles fizeram referência ao caráter pluricêntrico da Língua Portuguesa e destacaram os desafios que enfrentam as políticas de promoção e difusão da língua: a diversidade de contextos sociolinguísticos do Português (como língua materna, língua de herança, língua segunda, língua de acolhimento…), as possibilidades como língua estratégica de comunicação global (como língua de trabalho em diversos organismos internacionais e como recurso econômico),

O IILP, organismo com sede na República de Cabo Verde, tem como objetivos fundamentais “a promoção, a defesa, o enriquecimento e a difusão da língua portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização oficial em fóruns internacionais”, segundo podemos ler na sua página (https://iilp.wordpress.com/).

Notícia na página da CPLP

 

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Junta da Galiza vai lançar o Observatório da Lusofonia Valentín Paz Andrade

Segundo informa o site institucional do governo galego, a Junta da Galiza vai lançar no próximo ano o Observatório da Lusofonia Valentín Paz Andrade. Servirá como instrumento de consenso para a adoção de medidas relacionadas com a Lusofonia na Galiza e como fórum permanente de diálogo entre as diferentes administrações públicas e outras organizações representativas com interesses na matéria.

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A Xunta vai lançar o Observatório da Lusofonia Valentín Paz Andrade no próximo ano, depois de concluídos todos os trâmites necessários e a correspondente audição e informação públicas. Criada com o objetivo de servir de instrumento de consenso para a adoção de medidas relacionadas com a lusofonia na Galiza, a nova entidade vai depender da Vice-Presidência segunda e da Conselharia da Presidência, Justiça e Desportos e terá a vice-presidência a cargo da Conselharia competente em Política Linguística.

Além da Xunta, na composição do Observatório estarão a Administração Geral do Estado Espanhol, a Administração Portuguesa e os observadores consultivos na Galiza da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com o Consello da Cultura Galega, a Academia Galega da Língua Portuguesa e a Associação de Docentes de Português da Galiza. Também farão parte da entidade a AECT da Eurorregião, a Federação Galega de Municípios e Províncias (Fegamp), o Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional, a Fundação Centro de Estudos Eurorrexionais Galicia – Norte de Portugal e outras organizações com interesses políticos, sociais, económicos e culturais na Eurorregião Galiza-Norte de Portugal.

Desde que a Espanha se tornou Observador Associado na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em julho de 2021, a Galiza tem trabalhado para desenvolver todas as potencialidades desta associação e assim evidenciar a relação especial da Galiza com o mundo lusófono, principal motor que impulsionou o Estado espanhol para aderir à CPLP.

Neste contexto, a Xunta trabalha há algum tempo na criação deste observatório especializado no conhecimento da Lusofonia e na interação com os países desta área. O objetivo é servir como um fórum de diálogo permanente entre a Galiza, as diferentes administrações públicas e outras organizações representativas de interesses neste campo.

Laços linguísticos, históricos e culturais

A lusofonia é constituída pelo conjunto dos países que têm o português como língua oficial, bem como pelas comunidades que partilham laços históricos e culturais. Em 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa foi constituída com o compromisso de fortalecer os laços de solidariedade e cooperação que os unem, conjugando iniciativas para promover o desenvolvimento económico e social dos seus povos. A ACADEMIA GALEGA DA LÍNGUA PORTUGUESA ingressou na CPLP, com a categoria de Observador Consultivo, no dia 20 de julho de 2017, na XXII reunião ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, realizada em Brasília. A decisão adotada é duplamente significativa, por ser a primeira entidade da sociedade civil galega a participar oficialmente neste organismo, o que poderá vir a reforçar as posições pró-lusófonas na Galiza, e por tratar-se de uma Academia que defende a unidade da língua portuguesa, de que o galego faz parte.

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